Em São Paulo, Festa de Alasita Celebra Abundância e Fortalece a Presença Cultural Boliviana

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Com miniaturas de desejos e bênçãos ancestrais, evento no Parque Dom Pedro II atrai milhares e destaca a riqueza da diversidade imigrante na cidade

São Paulo – 24/01/2026 às 21:15h.

Na véspera do aniversário de 472 anos de São Paulo, celebrado neste 25 de janeiro de 2026, a cidade reafirmou sua vocação plural ao receber milhares de pessoas na Festa de Alasita, realizada no Parque Dom Pedro II. Desde as 10h da manhã de sábado (24), famílias bolivianas, peruanas, equatorianas e brasileiras se reuniram em torno da “feira da abundância”, em um evento que, segundo os bombeiros, circulou cerca de 40 mil visitantes ao longo do dia.

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A tradição, originária da Bolívia, transformou o parque em um espaço de esperança e manifestação cultural. Barracas ofereciam miniaturas de casas, carros, cédulas de várias moedas, incluindo dólares, euros, reais, pesos bolivianos e até bitcoins, além de touros, elefantes e sapos, símbolos de força, fortuna e prosperidade. A aquisição desses pequenos objetos, no entanto, é apenas a primeira etapa de um ritual carregado de significado.

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Em um momento que simboliza a integração cultural, uma yatiri andina concede a bênção às miniaturas compradas por um policial militar na Alasita no Parque Dom Pedro II. A autoridade policial afirmou, “esta festividade deveria acontecer muitas mais vezes na cidade”. (Foto: Bolívia Cultural).

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Após as compras, os participantes buscavam a bênção dos yatiris”, xamãs andinos, homens e mulheres, que, em cerimônia ancestral, invocam a Pacha Mama, o Ekeko (deus da abundância), a Virgem de Copacabana e outras divindades para que os desejos representados pelas miniaturas se realizem.

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Paulo Illes, da Rede Sem Fronteiras, Patricia Vega, advogada ativista, Marcelo Laura, presidente da Associação Feira Kantuta; Ronald Quito, da ASSEMPBOL. (Foto: Red Uri).

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Por volta das 13h, o palco central foi ocupado por representantes das entidades organizadoras: Marcelo Laura, presidente da Associação Feira Kantuta; Ronald Quito, da ASSEMPBOL; Paulo Illes, da Rede Sem Fronteiras; e a advogada ativista Patricia Vega. Eles agradeceram ao público e destacaram a importância da união das instituições para consolidar a Alasita 2026 em São Paulo, que chega à sua sexta edição no local.

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Dança do Ekeko – (Foto: Leonor Hills)

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Um dos momentos mais aguardados foi a aparição do Ekeko “vivo”, vivido pelo artista “aimará” Juan Cusicanki, que dançou e distribuiu miniaturas de notas de dinheiro, arrancando ares de devoção, além da  de adultos e crianças. A figura emblemática foi acompanhada por um padre, que celebrou a tradicional missa da Alasita, integrando sincretismo e devoção.

Além do ritual simbólico, o evento também foi uma celebração gastronômica. O prato típico Plato Paceño” atraiu visitantes de diversos bairros de SP, enquanto outras iguarias bolivianas saciaram a fome dos presentes. No palco, grupos de dança e música aqueceram a tarde, invocando uma chuva leve no fim do dia, a tradicional “chuva de Alasita”, que desta vez foi uma breve garoa.

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A ausência da representação consular boliviana na abertura do evento gera críticas e reflexões sobre o diálogo com a comunidade imigrante.

A festa, porém, teve seu momento de tensão. No palco e em entrevista aos microfones do Bolívia Cultural, um dos organizadores, Marcelino Laura, presidente da Associação Feira Kantuta, expressou sua frustração com a ausência da cônsul da Bolívia, Vania Claros, a quem havia convidado pessoalmente para a abertura. “Ela não compareceu e nem deu explicações”, disse, lamentando o que chamou de “distanciamento da comunidade”. Laura estendeu a crítica: “Se a cônsul nos maltrata, que somos dirigentes, imagine o tratamento ao imigrante ‘de a pé’.” concluiu Laura.

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O personagem central da festa, o Ekeko, jogando miniaturas em dinheiro – (Foto: Leonor Hills)

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A Alasita 2026, organizada pela ASSEMPBOL em parceria com a Feira Kantuta, reafirmou-se não apenas como uma festa da comunidade boliviana, mas como um exemplo vivo da importância da diversidade cultural trazida pelos imigrantes. Em uma São Paulo que se consolida como uma das cidades mais diversas do mundo, eventos como este são essenciais para enriquecer o tecido social, promover o diálogo intercultural e fortalecer um Brasil que acolhe, e se transforma, com a contribuição de quem chega. Como destacaram os organizadores, a Alasita é hoje um símbolo de fortuna paulistana, construída por mãos de muitas origens.

Foto de capa: Leonor Hills

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