TRÍPLICE RECONHECIMENTO: Projeto Boliviano nas Escolas de SP, Conquista Prêmio de Direitos Humanos Pelo 3º Ano Consecutivo

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Iniciativa cultural, sem apoio financeiro da comunidade boliviana, empresários ou do Estado boliviano, impacta mais de 320 escolas paulistanas em 19 anos, transformando salas de aula com cultura milenar e promovendo acolhimento.

São Paulo • 11/01/26 às 22:16h
Atualizado • 14/01/26 às 15:30h

Em uma metrópole de mais de 12 milhões de habitantes, onde histórias de imigrantes muitas vezes se perdem no anonimato ou no preconceito, um projeto teimosamente humanista floresce há quase duas décadas nas salas de aula da rede municipal de São Paulo. Criado e mantido pelo Bolívia Cultural, o projeto “Eu Amo Bolívia” acaba de ser reconhecido, pelo terceiro ano seguido, com o Selo de Direitos Humanos e Diversidade da Prefeitura de São Paulo, honraria entregue em 10 de dezembro de 2025, no Centro Cultural São Paulo (CCSP).

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A distinção coroa um trabalho meticuloso e totalmente voluntário que tem como principal palco as escolas da “quarta maior cidade do mundo”. O objetivo é claro: usar a riqueza da milenar cultura boliviana como ferramenta pedagógica para combater xenofobia, racismo e bullying, criando pontes de entendimento e orgulho. O método é simples, mas profundo: palestras e intervenções culturais gratuitas que desmontam estereótipos.

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Os números falam por si. Monitorado de perto, o projeto registra um impacto positivo em 100% das intervenções, conforme avaliação dos próprios professores após cada atividade. O trabalho tem motivado “mudanças de conceitos” não só entre os alunos, mas também no corpo docente e nos prestadores de serviços das unidades, validando-se como um “modelo de sucesso de diversidade” em ambiente educativo.

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O coração e a força motriz por trás dessa empreitada é o imigrante boliviano Antonio Andrade, criador do Bolívia Cultural. Com emoção, ele compartilha que a conquista do Selo “é mais que um orgulho compartilhado com milhares de crianças e professores”. Para Andrade, a iniciativa “tem ajudado a criar uma geração muito mais humana”.

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SELO-DH-2025
O Selo de Direitos Humanos e Diversidade, cuja 8ª edição tem validade de um ano, foi formalmente entregue em sua versão digital em 6 de janeiro de 2026. A premiação concede ao projeto Bolívia Cultural e “Eu Amo Bolívia” o direito de exibir a honraria em seus materiais de comunicação e o integra à “Rede do Selo” da Prefeitura, um fórum que promove a troca de experiências e ações conjuntas em prol da diversidade.

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Os maiores prêmios, no entanto, vêm em forma de sussurros nos corredores das escolas. “Parabéns pelo teu trabalho, gostei muito”, disse uma criança de 5 anos em 2025. Ou a declaração transformadora de uma menina de 9 anos, em 2022: “…Tio, depois da tua palestra… agora eu tenho muito orgulho de ser boliviana. Há ainda o título carinhoso dado por uma educadora após uma palestra para 1.500 professores: “Mestre Antonio”. “Quem dá aula para professor é um mestre!”, justificou ela.

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Este reconhecimento espontâneo coroa mais de 320 palestras ministradas gratuitamente em São Paulo. Um feito ainda mais notável considerando o cenário de ausência de apoio financeiro que Andrade explicitamente desabafa: “Minha luta nunca vai parar, mesmo sem o apoio nem da minha comunidade, nem pelos empresários, nem do Estado boliviano”. O projeto sobrevive e prospera pela determinação pessoal de seu idealizador e pelo poder de transformação de sua mensagem.

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Selo de Direitos Humanos e Diversidade tem validade de um ano e, ao premiar a iniciativa, a insere na “Rede do Selo”, facilitando a troca de experiências e o desenvolvimento de ações conjuntas pela diversidade. Para a gestão pública paulistana, o “Eu Amo Bolívia” é um exemplo claro de como a cultura pode ser um antídoto poderoso contra a discriminação, moldando, aula após aula, uma cidade mais acolhedora na sua imensa e complexa diversidade.

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