Artigo Para Download: A Luta Invisível das Vítimas Imigrantes que Envelhecem na Exploração

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Artigo liderado por filha de imigrante boliviano revela as marcas da escravidão contemporânea e a urgência de uma proteção integral, para além do resgate

São Paulo • 03/02/26 às 17:18h
Atualizado • 10/03/26 às 14:40h

Em um momento em que o país intensifica a reflexão sobre o trabalho escravo contemporâneo, um artigo acadêmico lança luz sobre uma das faces mais cruéis e negligenciadas desta violação: a interseção entre exploração laboral, envelhecimento e gênero. Intitulado Trabalho Análogo à Escravidão e Envelhecimento: Reflexões sobre a Prevenção e o Enfrentamento ao Trabalho Escravo, o estudo é um relato de experiências práticas no atendimento a vítimas, com foco no trabalho doméstico.

Construido por: Joyce Ferreira Gutierrez, filha de imigrante boliviano, ativista social e cultural andina em São Paulo, Custódio de Oliveira, assistente social com especialização em Gerontologia pela Unifesp. Mestre e Doutora em Serviço Social pela PUC/SP. Fernanda, Assistente Social e Sandra da Silva Sato, estudante de Serviço Social com engajamento em atividades de pesquisa e extensão, ambas fazem parte do Núcleo de estudos de envelhecimento e serviço social Ivone Lara. “O nome do grupo refere homenagem a grande sambista e assistente social Ivone Lara, considerada a 1º mulher negra a se tornar assistente social.

A pesquisa publicada em dezembro de 2025, conta ainda com as coautoras Ilka Custódio de Oliveira, Fernanda Gomes Fiuza da Silva e Sandra da Silva Sato. Todas são membros do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Serviço Social Ivone Lara, grupo que representa um ato de resistência frente à precarização do ensino superior.
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Da Teoria à Prática: O Resgate que Não Acaba

O artigo tem como base a atuação profissional de uma das autoras como assistente social em uma Organização da Sociedade Civil (OSC) parceira do Ministério Público do Trabalho da 2ª Região (MPT-SP), entre 2023 e 2025. O trabalho consistiu no acompanhamento direto de trabalhadores resgatados, desde a operação de libertação até as complexas etapas do pós-resgate.

A experiência evidencia uma grave lacuna: a invisibilização da violência contra a pessoa idosa durante os processos de enfrentamento ao trabalho escravo. “Ficam focalizados na questão do trabalho, mas esse artigo enfatiza a proteção integral das vítimas”, destaca o texto, ao abordar casos em que idosos, principalmente mulheres, são submetidos a condições análogas à escravidão em serviços domésticos.

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Envelhecimento como Questão Social Agravada pela Exploração

As autoras analisam o envelhecimento como uma questão social que se intensifica em contextos de precarização extrema. A jornada exaustiva, as condições degradantes e a restrição de locomoção – elementos que configuram o crime previsto no artigo 149 do Código Penal – deixam marcas físicas e psicológicas profundas em corpos que já enfrentam os desafios naturais da idade.

O estudo critica a falta de políticas públicas com olhar específico para essa faixa etária, cujas singularidades exigem acolhimento, reparação e inclusão social diferenciados. Neste contexto, a atuação da Comissão Municipal para a Erradicação do Trabalho Escravo de São Paulo (COMTRAE-SP), que desde 2020 opera um fluxo municipal de atendimento, é um avanço, mas a aplicação prática que garanta a proteção integral ao idoso vítima ainda é um desafio.

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Acesso ao Conhecimento como Ferramenta de Combate

Para difundir essas reflexões urgentes, o artigo completo está disponível para download. A divulgação deste material na Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo reforça a necessidade de dar voz às vítimas mais invisíveis e de cobrar políticas que não só resgatem, mas também restaurem a dignidade e o futuro daqueles que envelhecem sob o jugo da exploração.

Faça o download do artigo completo AQUI.

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Créditos da Matéria:
Com informações do artigo “Trabalho Análogo à Escravidão e Envelhecimento”, de Joyce Ferreira Gutierrez et al. Produzida para a Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.

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