Ano Novo Andino 5.534: A Força Dos Povos Originários Desde São Paulo Para O Mundo

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Praça Kantuta será palco de ritual do Willka Kuti que conecta diáspora andina em quatro continentes em defesa do Bem Viver

São Paulo, 20/05/26 às 18:15h
Atualizado, 20/05/26 às 18:44h

Na madrugada de 20 de junho de 2026, quando os primeiros raios de sol romperem o frio na Praça Kantuta, no bairro do Canindé. Será o clímax da cerimônia do Ano Novo Andino 5.534, também chamado de Willka Kuti (Retorno do Sol) ou Machaq Mara (Ano Novo), data que marca o solstício de inverno no Hemisfério Sul e o renascimento do astro-rei segundo a tradição milenar dos povos originários. A celebração, que vai das 22h do dia 20 até o nascer do sol do dia 21 de junho de 2026, reunirá centenas de pessoas em um ritual de esperança, união e resistência cultural, com destaque para a cosmovisão andina amazônica, visão de mundo que integra o sagrado da montanha e da floresta, a reciprocidade com a Pachamama (Mãe Terra) e o equilíbrio entre os seres humanos e a natureza.

O evento, organizado pelo Centro Cultural Andino Amazônico (CCAA) com apoio do VAI Cultural e Prefeitura de São Paulo, já faz parte oficial do calendário de celebrações da cidade de São Paulo, metrópole marcada pela diversidade cultural e pela presença ativa de comunidades migrantes, especialmente de povos originários da América Latina. A Praça Kantuta se transformará em um grande espaço de espiritualidade, acolhimento e ancestralidade. Pessoas de diferentes origens, bolivianos, peruanos, chilenos, argentinos, equatorianos, brasileiros, colombianos, além de visitantes europeus, africanos e norte-americanos, deverão se reunir para vivenciar a força simbólica do ciclo solar e da cosmovisão Andina Amazônica que entende o território como ser vivo.

A Praça Kantuta, território cultural e agora ancestral dos imigrantes andinos, já é reconhecida como um Apu. Na palavra quéchua, Apu significa “Senhor”: o espírito guardião, a divindade tutelar que desde tempos imemoriais habita os montes nevados. E hoje, nesse novo território sagrado, esse mesmo espírito fez morada na praça dos imigrantes bolivianos no território paulista.

 

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A cerimônia será conduzida por guias espirituais representantes da dualidade sagrada entre o feminino e o masculino, princípio central da harmonia do universo segundo o pensamento andino amazônico. “Homem e mulher não competem. Um é complemento do outro. Assim é a harmonia do universo, assim deve ser a harmonia da nossa sociedade”, essa mensagem, já proferida em edições anteriores, orienta novamente o ritual. A cada batida dos Sicuris, grupo tradicional de música andina que embalará a madrugada, o público se aproximará do círculo de energias positivas formado no centro da praça, ao redor da fogueira ritual. Mãos estendidas em direção ao leste, orações em espanhol, português, aimara, quéchua e também em línguas amazônicas, e a certeza de que o novo ciclo trará mais união, mais luta e mais esperança para os povos originários de toda a Abya Yala, como os indígenas chamam o continente americano.

 

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Uma celebração internacional que conecta quatro continentes

Por meio de parceria com a RTP (Rádio Televisão Popular da Bolívia), a cerimônia na Praça Kantuta fará parte de uma rede internacional de celebrações, com transmissões simultâneas de rituais unindo Tiwanaku (Bolívia), o epicentro espiritual do Ano Novo Andino, além de cidades na Argentina, Chile, Peru, Equador, Espanha, Estados Unidos, França e Japão, onde comunidades andinas e amazônicas vivem em diáspora. Tiwanaku, antiga capital do império Tiwanacota e berço da cultura aimará, será novamente o principal centro de referência, reafirmando o protagonismo da Bolívia na preservação e difusão deste patrimônio imaterial da humanidade. A conexão com a Amazônia será ressaltada por rituais que incluem oferendas de sementes, águas de nascentes e cantos indígenas da floresta, mostrando que a cosmovisão andina amazônica não separa a montanha da selva: ambas são territórios sagrados de intercâmbio e vida.

 

 

Compartilhamento e solidariedade como princípios do Bem Viver

Seguindo os princípios do Sumak Kawsay (Bem Viver) e do Suma Qamaña, os alimentos servidos na Praça Kantuta serão preparados e compartilhados de forma comunitária e gratuita. Cada participante poderá trazer um pouco de sua cultura e sua fé, transformando a noite em um verdadeiro banquete de solidariedade, com ofertas de frutas, pão caseiro, bolos, pratos típicos andinos como a pachamanca e também comidas amazônicas como o tacacá e a maniçoba, simbolizando a integração dos dois grandes biomas. Essa rede de cuidado e acolhimento é construída por ativistas culturais, lideranças espirituais, indígenas urbanos e voluntários que demonstram na prática que a união dos povos é a força transformadora desta geração.

 

Um chamado global pela harmonia com a Pachamama

O Ano Novo Andino 5.534 não é apenas uma celebração festiva. É um grito de resistência epistêmica, um chamado à reconexão com a natureza e um convite à humanidade para repensar seus modelos de vida em harmonia com a Pachamama. Em um momento de crises ambientais, sociais e políticas, a espiritualidade dos povos originários – especialmente a cosmovisão andina amazônica, que ensina que tudo tem espírito e que o ser humano é parte da teia da vida, aponta para um futuro onde a coletividade, o respeito à diversidade e a convivência pacífica com a natureza sejam prioridades. Ao final da celebração, com os primeiros raios do sol iluminando a Praça Kantuta, um coro coletivo de “Jallalla!”, palavra aimara que significa bênção, vida e força, selará o início do novo ciclo. Um novo tempo de resistência, de celebração e de luta por um mundo mais justo e equilibrado. Que o Ano Novo Andino 5.534 seja, para todos os povos da Abya Yala e do mundo, um ano de renascimento, consciência coletiva e respeito aos ensinamentos ancestrais. Jallalla aos povos originários! Jallalla à Pachamama! Jallalla à vida!

Fotos: Leonor Hills

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