Bolívia completa 100 dias de governo Paz com avanços econômicos: herança do MAS mancha imagem no exterior

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A estabilização do dólar e dos combustíveis é celebrada internamente, a manutenção de embaixadores do MAS e o descaso consular com bolivianos no exterior geram críticas e mantém percepção internacional negativa do país

São Paulo • 20/02/26 às 10:01h
Atualizado • 20/02/26 às 10:50h

O presidente boliviano, Rodrigo Paz, completa 100 dias no cargo com um balanço que divide opiniões. Se por um lado o governo conseguiu conter a herança deixada pela gestão de Luis Arce, estabilizando a economia, o câmbio e normalizando o abastecimento de combustíveis, por outro, a falta de reformas profundas e a permanência de estruturas do Movimento al Socialismo (MAS) no poder geram desgaste.

Analistas e políticos, como o ex-presidente Tuto Quiroga, apontam que faltam leis novas nas áreas econômica, mineral e de hidrocarburetos. Além disso, escândalos como o “caso das 32 maletas” expõem a permanência de funcionários ligados ao partido MAS em postos-chave, minando a confiança na nova gestão.

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Uma imagem internacional congelada no tempo

Contudo, é no cenário externo que a herança do MAS se mostra mais resistente e prejudicial. Apesar do discurso de ruptura com regimes autoritários e da aproximação com os Estados Unidos, que rendeu a Paz um convite do ex-presidente Donald Trump para uma reunião com líderes conservadores, para os bolivianos no exterior a imagem internacional da Bolívia não mudou.

O motivo, segundo fontes diplomáticas, é simples: todos os embaixadores e cônsules indicados pelo antigo governo do MAS permanecem em seus postos. “Não se realizou um único cambio no serviço exterior”, destacam analistas. Essa continuidade simboliza, para a comunidade internacional, que as práticas do passado seguem vigentes.

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O abandono da diáspora boliviana

Esta falta de renovação tem um reflexo prático e cruel: o péssimo atendimento consular aos imigrantes bolivianos fora do país. Enquanto Paz tenta equilibrar-se entre alianças com líderes como Lula da Silva (Brasil) e a direita regional, a diáspora boliviana segue refém de uma estrutura do MAS que, segundo relatos, é marcada pela ineficiência e descaso.

Enquanto isso, o governo avança na captação de recursos externos, mais de US$ 550 milhões só do CAF, uma prática duramente criticada por Paz durante a campanha eleitoral. A pergunta que fica nos consulados e nos círculos diplomáticos é: se o dinheiro chega, por que o acolhimento e a imagem do país lá fora continuam congelados no tempo?

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Com fonte: Brissa Pabón,
do canal Explainer

foto: caf.com

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