DÉFICIT DIPLOMÁTICO: Governo de Rodrigo Paz não tem dinheiro para trocar embaixadores

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Senador Nicanor Cochi revela dívida salarial que chega a US$ 21 mil por funcionário e anuncia que mudanças só começam em março de 2026; São Paulo aguarda atenta as nomeações.

São Paulo • 06/02/26 às 13:39h
Atualizado • 06/02/26 às 18:17h

A gestão consular e diplomática do governo do presidente Rodrigo Paz, permanece em estado precário, com consulados e embaixadas operando com funcionários nomeados politicamente e uma pesada dívida salarial herdada da gestão do ex-presidente Luis Arce Catacora (MAS). A informação foi confirmada pelo senador Nicanor Cochi (PDC), presidente da Comissão de Política Internacional da Câmara de Senadores da Bolívia.

Em entrevista à “Radio Fides”, concedida na Plaza Murillo, em La Paz, o senador revelou que 100% do corpo diplomático nomeado pelo governo do MAS, incluindo embaixadores, cônsules e encargados de negócios, segue em seus cargos, impossibilitado de ser removido devido às dívidas trabalhistas que o Estado boliviano mantém com eles. “Têm uma dívida que vai até salários, mais as férias, não é certo? Então não se pode ainda dizer que o país está se levantando economicamente”, afirmou Cochi.

De acordo com o parlamentar, as dívidas em muitos casos superam 150 mil bolivianos (aproximadamente US$ 21.720) por funcionário, valores referentes a salários não pagos. Esta crise financeira travou qualquer substituição. “Não se mudou nenhum embajador, por falta de orçamento”, explicou.

A Bolívia mantém atualmente mais de 50 funcionários diplomáticos em postos no exterior. A situação gera instabilidade e crítica sobre a eficiência dos serviços, que continuam a ser prestados por pessoal muitas vezes não concursado, enquanto a dívida salarial acumula.

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Mudanças à Vista, Mas Só em Março

O senador Cochi anunciou que a renovação do corpo diplomático começará a ser efetivada apenas a partir de meados de março de 2026. “Seguramente já vão mudar os corpos de embaixadas e consulados. Nós, os senadores, já estamos nas prévias de ter a convocatória para os futuros embajadores”, declarou.

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A previsão é que a primeira semana de março marque o início das nomeações, que serão prioritariamente definidas com base na nova política externa do governo, sob o lema “BOLÍVIA PARA O MUNDO E O MUNDO PARA A BOLÍVIA”. “O governo central já está orçamentando para pagar as dívidas dos embajadores e, posteriormente, já colocar os novos embajadores que precisam estar no exterior”, completou o presidente da comissão.

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São Paulo na Expectativa

A informação é acompanhada com atenção em São Paulo, cidade que abriga um dos consulados mais movimentados da Bolívia no mundo. A comunidade boliviana no Brasil e os setores comerciais aguardam as indicações, na expectativa de que a renovação traga maior eficiência e solução para os crônicos problemas de gestão e atendimento que marcaram os últimos anos.

A declaração do senador Cochi expõe a fragilidade financeira e administrativa que persiste na chancelaria boliviana, adiando por meses a tão anunciada renovação diplomática prometida pelo atual governo.

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