Ausência Consular: Estado Boliviano Vira as Costas à sua Maior Comunidade no Brasil em Evento Cultural Chave

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Falta de apoio à ALASITA 2026 em São Paulo expõe gestão da chancelaria boliviana que ignora potencial bilionário da Cultura Boliviana no exterior

São Paulo • 28/01/26 às 12:34h
Atualizado • 28/01/26 às 13:58h

São Paulo, a quarta maior cidade do planeta, pulsou no último dia 24 de janeiro com as cores, crenças e esperanças da tradição andina. A festa de ALASITA, ritual de fertilidade e prosperidade milenar, REUNIU CERCA DE 40 MIL PESSOAS no Parque Dom Pedro II, consolidando-se como um dos eventos culturais imigrantes mais significativos do calendário oficial paulistano (ao lado da festa folclórica da independencia boliviana em SP). No entanto, por trás do sucesso popular, uma ausência gritante marcou o evento: a do Estado Boliviano. A falta de apoio institucional e, sobretudo, a inexistência de qualquer representante do Consulado Geral da Bolívia em São Paulo no evento, revelam uma política externa miópica, uma gestão consular caótica e um desperdício estratégico que custa caro à imagem e aos interesses nacionais bolivianos.

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A festa de ALASITA, ritual andino de fertilidade e prosperidade, reuniu cerca de 40 mil pessoas no Parque Dom Pedro II. O evento já é um dos mais significativos do calendário cultural e imigrante de São Paulo. (Foto: Bolívia Cultural)
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“Se nós, dirigentes, não somos atendidos, imagine o cidadão comum”. Marcelo Laura vai além e critica a gestão da chancelaria sob Rodrigo Paz: para ele, o serviço “piorou” em relação ao já criticado governo de Luis Arce. A declaração grave expõe o sentimento de abandono de uma comunidade de 450 mil bolivianos em São Paulo. (Foto: Bolívia Cultural)

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A cônsul, Vania Claros, formalmente convidada, não compareceu e não designou nenhum funcionário para representar ao Estado Boliviano. Este descaso não é um incidente isolado, mas o sintoma de um distanciamento crônico e agravado. Em entrevista ao Bolívia Cultural, Marcelo Laura, presidente da Associação Kantuta e um dos organizadores do evento, foi categórico: “Se nós, que somos dirigentes, não somos atendidos, imagine como é o atendimento aos cidadãos de a pé, aqueles mais simples e humildes”. Laura vai além, afirmando que a gestão da chancelaria sob o presidente Rodrigo Paz “piorou” em relação ao já criticado governo de Luis Arce. São palavras graves que expõem o sentimento de abandono de uma comunidade estimada em 450 mil pessoas no estado de São Paulo.

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Rodrigo Paz na sua posse como presidente da Bolívia prometeu que:
“A BOLÍVIA NUNCA MAIS ESTARÁ DE COSTAS PARA O MUNDO”

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Este afastamento institucional é uma falha de gestão consular e uma cegueira estratégica de proporções econômicas. O governo Paz prometeu internacionalizar a Bolívia e impulsionar a “economia laranja”, modelo que valoriza a criatividade, a cultura e a propriedade intelectual como motores turísticos e econômicos. No entanto, suas políticas não transpõem a fronteira. A ALASITA em São Paulo é a materialização perfeita desse conceito: atrai não apenas as familias imigrantes, mas um público crescente de brasileiros, famílias paulistanas que consomem cultura, artesanato, gastronomia e, consequentemente, constroem uma imagem positiva da Bolívia. É turismo criativo em ação, gerando curiosidade e simpatia que se convertem em desejo de conhecer o país.

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A Diplomacia Cultural como Ferramenta de Poder Brando: Dados que a Bolívia Ignora

A postura boliviana contrasta violentamente com a prática internacional. Países como México, Japão, Coreia do Sul e França investem pesadamente na promoção de suas festividades e expressões culturais no exterior, entendendo isso como um “poder brando” (soft power) essencial. A UNESCO reiteradamente destaca que a diplomacia cultural facilita diálogos, quebra estereótipos, fortalece relações bilaterais e abre portas para comércio e investimento. Um estudo do British Council aponta que cada libra investida em diplomacia cultural gera um retorno multiplicado em boa vontade política e oportunidades econômicas.

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Ao negligenciar um evento como a ALASITA, chancelaria boliviana despreza a chance de:

  1. Melhorar a Imagem Nacional:
    Transformar percepções, associando a Bolívia a tradições ricas e positivas, e não apenas a estereótipos.

  2. Apoiar a Comunidade:
    Fortalecer o orgulho identitário dos cidadãos no exterior, que são embaixadores informais.

  3. Fomentar o Turismo:
    Plantar a semente da viagem futura no maior mercado emissor da região, o brasileiro.

  4. Gerar Economia:
    Conectar produtores bolivianos (artesãos, chefes) a um mercado consumidor de alto poder aquisitivo. Ignorar São Paulo, cujo projeto natalino de 2025 movimentou cerca de R$ 2 bilhões, é um erro comercial imperdoável.

As palavras do chanceler Fernando Aramayo, que no fim de 2025 assegurou que o Estado “não esqueceu” dos bolivianos no exterior, soam vazias perante a ausência na ALASITA. A gestão de Vania Claros em São Paulo parece refletir uma chancelaria desestruturada, sem diretrizes claras de promoção e sem compreensão do potencial de uma comunidade que deveria servir. Lembrando as palavras do chanceler boliviano ainda presentes, prometendo uma nova Bolívia onde a capacidade e o mérito seriam os pilares da função pública, em clara repulsa às práticas dos chamados “busca-pegas”.

A conclusão é amarga. Enquanto a sociedade civil boliviana em São Paulo, com esforço próprio, constrói pontes culturais sólidas e valiosas, o Estado Boliviano, através de seu consulado, permanece ausente, inerte e irrelevante. É uma política que despreza seu povo no exterior, menospreza o poder da cultura e abre mão, de forma voluntarista, de projetar uma imagem moderna e atrativa da Bolívia no coração econômico da América do Sul. A falta na ALASITA 2026 não foi apenas um desrespeito; foi, acima de tudo, uma renúncia ao futuro.

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