Memórias trançadas: Coletiva boliviana Ch’ixi ativa a ancestralidade na abertura da 4ª Frestas

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Performance que une tradição andina e reflexões migratórias marca presença internacional no Sesc Sorocaba, reafirmando a Trienal como espaço de troca e descentralização da arte contemporânea

São Paulo • 03/03/26 às 18:55h
Atualizado • 04/03/26 às 00:40h

Sorocaba – A 4ª edição da Frestas – Trienal de Artes foi oficialmente ativada no Sesc Sorocaba em um fim de semana de encontros, presenças e atravessamentos. Reunindo artistas, curadoria, equipe e convidados, a programação de abertura celebrou o início de mais um ciclo de pesquisa, diálogo e construção coletiva, reafirmando o compromisso do evento com o território, a escuta e as múltiplas formas de relação entre arte e comunidade.

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Entre as vozes que ecoaram nesse primeiro ato, a Bolívia marcou presença de forma contundente com a Colectiva Ch’ixi. Nos dias 28 de fevereiro (sábado), 1º de março (domingo) e 3 de março (terça), o grupo ocupou a Sala de Oficinas do Sesc Sorocaba com uma performance que articula memória ancestral andina e a experiência migrante contemporânea.

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Eduardo Schwartzberg

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A ação, que utiliza o gesto simbólico de trançar e destrancar cabelos, propõe uma reflexão poética sobre heranças, deslocamentos e resistências que constituem os corpos no presente. Por meio de elementos visuais, sonoros e corporais, a performance incorpora a noção de ch’ixi , conceito que, na visão do coletivo, representa a justaposição de temporalidades, saberes e modos de vida, sem hierarquizá-los.

No contexto da Trienal, a performance transcendeu a fronteira geográfica e fez do Brasil, e especialmente de Sorocaba, um território simbólico de troca. A ativação promovida pelo coletivo escancarou o encontro entre três matrizes identitárias, andina, africana e europeia, com ênfase na potente e muitas vezes invisibilizada presença afro-andina.

A participação da Colectiva Ch’ixi reforça o DNA da Frestas, que desde sua criação se consolidou como uma plataforma artística de pesquisas curatoriais, englobando exposições, projetos educativos e atividades transdisciplinares. Idealizada e realizada pelo Sesc Sorocaba, a Trienal carrega em seu nome a tradução tupi-guarani da cidade, “lugar da rasgadura”, uma herança do projeto “Terra Rasgada”, realizado na década de 1990.

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A Colectiva Ch’ixi é uma proposta política e social que valoriza os conhecimentos e saberes de todas as pessoas e rejeita toda forma de hierarquização sociocultural. Seus integrantes são originários de diversas regiões da Bolívia e possuem conhecimentos de diferentes áreas. O Tambo, trabalho da Colectiva em uma comunidade urbana na cidade de La Paz, tem recebido com frequência visitantes de outros países que se somam a essa iniciativa.

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Realizada desde 2014, a Frestas chega à sua quarta edição com um histórico expressivo: já apresentou 213 artistas, sendo 49 estrangeiros, e atraiu um público presencial estimado em 243 mil pessoas. Seu sólido projeto educativo já formou professores e educadores sociais, recebendo cerca de 30 mil estudantes de escolas públicas e privadas de Sorocaba e região.

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Eduardo Schwartzberg

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A partir de agora, a Frestas segue em percurso: ocupando espaços, promovendo encontros e ampliando possibilidades de acesso à arte contemporânea no interior do Estado, reafirmando sua missão de descentralizar o circuito artístico tradicional, geralmente concentrado nas grandes capitais.

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