Do cerco da Cidade de La Paz à celebração: como o Plato Paceño e a Alasita conquistam o Brasil

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Prato histórico de La Paz, nascido de uma resistência indígena no século XVIII, ganha paladares na ALASITA em SP, unindo gastronomia e tradição andina.

São Paulo • 22/01/26 às 21:35h.
Atualizar • 23/01/26 às 12:39h.

Em 24 de janeiro, bolivianas e bolivianos ao redor do mundo celebram a Alasita, uma festa de origem aimará centrada na cultura da abundância e nos rituais de prosperidade. No Brasil, especialmente em São Paulo, onde vive uma das maiores comunidades de bolivianos fora do país, a data tem ganhado espaço não só nas ruas, mas também em ambientes oficiais. E um símbolo comestível dessa tradição vem conquistando corações e estômagos por aqui: o Plato Paceño.

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Feito com ingredientes simples locais do altiplano boliviano, uma fatia de queijo frito, espiga de milho cozido, favas, batatas e a indispensável “llajua” (molho de pimenta ardida), complementada depois com um bife de res frito e suculento, o prato tem uma história tão robusta quanto seu sabor. Surgido no século XVIII, durante o cerco indígena à cidade de La Paz liderado por Tupaj Katari, o Plato Paceño teria sido a solução de sobrevivência de uma população à beira da fome, utilizando o que os vales próximos ainda podiam oferecer.

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Outra interpretação, do antropólogo Milton Eyzaguirre, vincula o prato ao “apthapi”, uma refeição comunitária pré-hispânica servida sobre coloridos tecidos indígenas (aguayos) em dias festivos. Seja como registro de resistência ou como expressão de celebração coletiva, o fato é que o prato transcendeu fronteiras.

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Lula visitou a Feira da Alasita no Parque Dom Pedro II, tradicional encontro da comunidade boliviana em São Paulo. Lula destacou a contribuição cultural e econômica dada pelos povos imigrantes ao Brasil e completou: “Enquanto o PT governar a cidade de São Paulo e o Brasil, os bolivianos serão tratados como brasileiros.” http://goo.gl/POjLDk – (Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula).

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Nas últimas edições da Alasita em São Paulo, o Plato Paceño tem sido experimentado e elogiado por autoridades, prefeitos, vereadores e até foi degustado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que elogiou publicamente o sabor e a representatividade da culinária paceña. “É uma honra receber, no Brasil, um prato que carrega tanta história e significado de luta e união”, afirmou Lula durante a sua visita a festa de ALASITA 2015, no Parque Dom Pedro II, evento que celebrou a integração cultural boliviana no Brasil.

A receita, que hoje também inclui variantes com carne assada, mantém sua base vegetal e o caráter comunitário. Para muitos imigrantes bolivianos no Brasil, servir o Plato Paceño durante a Alasita é uma forma de reviver laços, transmitir memória e reforçar identidade.

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“Esse prato fala de onde viemos, de resistência, de partilha. Ver brasileiros apreciando não só o sabor, mas entendendo a história por trás, é emocionante”, conta a cozinheira e liderança comunitária Elena Mamani, que há anos participa da organização da festa na capital paulista.

A Alasita, com suas miniaturas de desejo e suas mesas farta, e o Plato Paceño, com sua simplicidade profundamente simbólica, mostram como a cultura alimentar pode ser um caminho saboroso, e político, de diálogo entre povos. E no Brasil, cada espiga de milho compartilhada parece dizer: a história se serve quente, e tem tempero de luta.

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Receita tradicional para cerca de 3 a 4 pessoas.

INGREDIENTES

Milho (Choclo): 3 a 4 espigas grandes (de preferência o milho branco andino).

Favas (Habas): 500g a 1 libra de favas frescas com casca.

Batatas: 6 a 8 batatas médias (variedade andina/imilla), de preferência cozidas com casca.

Queijo: 200g a 300g de queijo fresco de vaca (queijo crioulo) que não derreta facilmente ao fritar.

Acompanhamento/Molho: Llajwa (salsa picante boliviana feita com tomate e locoto/pimenta).

Opcional: Carne de res (lombo ou chuleta) frita.

Temperos: Sal, 1 colher de chá de açúcar (opcional, para o milho) e óleo para fritar.

PREPARAÇÃO

Cozinhar o Milho (Choclo): Remova as cascas do milho. Em uma panela grande com água fervendo e uma pitada de sal (e açúcar, se desejar), cozinhe os milhos até ficarem macios.

Cozinhar as Favas (Habas): Lave as favas e, se preferir, corte as pontinhas para cozinhar melhor. Cozinhe em água fervente com sal até ficarem macias (aproximadamente 15-20 minutos)

Cozinhar as Batatas: Em outra panela, cozinhe as batatas com casca em água com sal até que estejam macias, mas firmes.

Fritar o Queijo: Corte o queijo em fatias grossas. Frite-as em uma frigideira com um pouco de óleo ou manteiga até dourarem de ambos os lados.

Preparar a Carne (Opcional): Se for servir com carne, frite os bifes de res ou chuletas com alho, cominho e sal até atingirem o ponto desejado.

Preparar a Llajwa: Bata no liquidificador ou triture no batán (moedor de pedra) tomates e locotos (pimentas) com um pouco de sal e, se desejar, ervas como quirquiña.

MONTAGEM

Em um prato, sirva uma espiga de milho, uma porção de batatas cozidas, favas, uma ou duas fatias de queijo frito e a carne (se usada). Acompanhe com a llajwa fresca por cima ou ao lado.

Nota: O verdadeiro plato paceño, por tradição, é servido sem carne durante as festividades de La Paz (Alasitas), sendo uma mistura contundente de vegetais e queijo.

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