Balé boliviano marcou presença no “Rumo à 1ª Virada Indígena” em São Paulo

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Apresentação no Museu das Culturas Indígenas reforçou a integração das tradições andinas e o protagonismo dos imigrantes originários na cena cultural paulistana

São Paulo, 02/09/26 às 12:50h
Atualizado, 04/09/26 às 19:07h

No último dia 22 de agosto, o Museu das Culturas Indígenas (MCI), em São Paulo, recebeu o encontro “Rumo à Virada”, evento preparatório para a 1ª Virada Indígena do Brasil, marcada para novembro. A ocasião reuniu ativistas, pesquisadores, estudantes e público interessado para discutir a presença indígena na cidade e a cultura como motor de transformação social. A abertura cultural ficou a cargo do Ballet Folklórico INTEGRACIÓN BOLIVIA, (Integrantes Andinos) que trouxe ao palco a força das tradições da Bolívia. Difundindo e salvaguardando as riquezas das tradições e do folclore boliviano.

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O Ballet Folklórico INTEGRACIÓN BOLIVIA elevou a energia do nosso encontro com a força do Tinku e a majestade da Diablada. A cultura viva da Bolívia brilhou no palco do “Rumo à Virada”! (Foto – Divulgação).

 

O grupo apresentou coreografias emblemáticas, como o Tinku, dança originária do norte da Bolívia que expressa resistência e conexão com a Pachamama, e a Diablada, símbolo do Carnaval de Oruro que representa o embate entre o bem e o mal. Os dançarinos Tatiana Danitza Herbas Ajata e Carlos Mario Yujra Saluca, sob a direção de Blanca Bautista Mamani, conduziram a plateia por uma imersão nas riquezas culturais andinas.

A participação do balé boliviano no evento não foi apenas artística. Ela evidenciou o papel central da comunidade indígena-boliviana, atualmente a maior população imigrante na capital paulista, na preservação de saberes ancestrais em território urbano. Ao integrar a programação, os organizadores reafirmaram a importância de incluir as vozes dos imigrantes originários no debate sobre memória, território e produção cultural contemporânea no Brasil.

 

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Dançarinos do Ballet Folklórico INTEGRACIÓN BOLIVIA apresentam o Tinku e a Diablada no “Rumo à 1ª Virada Indígena”, no Museu das Culturas Indígenas, em São Paulo. As coreografias trouxeram para o palco a força das tradições andinas e o sincretismo religioso da Bolívia. (Foto – Divulgação – Redes sociais).

 

O TINKU é uma dança tradicional da Bolívia que surgiu de um ritual ancestral indígena. Seu nome, vindo do quéchua, significa “encontro” e remete aos antigos confrontos físicos entre comunidades da região de Potosí, realizados como oferenda de sangue à Pachamama (Mãe Terra) para garantir boas colheitas. Na apresentação, os dançarinos executam saltos e batidas fortes dos pés no chão, enquanto os braços simulam golpes no ar, tudo embalado por música de sopro e percussão de ritmo acelerado. Os homens usam um chapéu duro de couro (montera) que imita um capacete de guerreiro, e as mulheres vestem saias bordadas com brilho e chapéus coloridos com penas, compondo uma performance vibrante e cheia de simbolismo.

A DIABLADA é uma dança tradicional boliviana que simboliza o confronto entre o bem e o mal, representado pela batalha entre o Arcanjo São Miguel e figuras demoníacas que personificam os pecados capitais. Originária do departamento de Oruro da Bolívia, tornou-se o grande símbolo do carnaval local, declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A coreografia é fruto de um sincretismo religioso que mescla crenças andinas pré-colombianas, como o culto ao “Tio” (protetor das minas), com elementos do catolicismo introduzidos pelos colonizadores espanhóis. Os mineiros bolivianos, tradicionalmente, realizavam a dança como forma de pedir proteção nas profundezas da terra, transformando o “supay” andino na figura do diabo cristão. Os figurinos são marcantes: máscaras com chifres e olhos saltados, além de trajes pesados e ricamente bordados com cores vibrantes.

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Roda de conversa e diversidade artística marcam encontro que antecipa festival de novembro

Além da apresentação, a tarde contou com a roda de conversa “Por que uma Virada Indígena? Cultura como direito, memória e futuro”, que discutiu o protagonismo dos povos originários e a construção coletiva do festival de novembro. Também estiveram presentes outros artistas, como a Comitiva Aīnbukuīn, Clarice Pankararu, Avani Fulni-ô, Márcio Verá Mirim, Julieta Paredes Carvajal, Luana Alves, Letícia Chagas e Eliseu Gabriel, com mediação de Leandro Karaí Mirim.

O encontro no MCI consolidou a aliança entre diferentes expressões culturais da América Latina e reafirmou que a Virada Indígena, ao ocupar o centro de São Paulo, será um marco na valorização dos povos originários e na visibilidade dos imigrantes que constroem a cidade. A 1ª Virada Indígena do Brasil está prevista para novembro, com mais de 30 etnias, cerca de 20 apresentações, feiras ecológicas e tendas de audiovisual.

 

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