Candidatas defendem proteção e valorização da mulher imigrante em evento eleitoral em São Paulo

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Marina Silva e Simone Tebet reafirmam compromisso com a pauta da mulher imigrante durante encontro no Plenário Rumo à Vitória, com destaque para a necessidade de acolhimento e políticas de dignidade

São Paulo, 17/09/26 às 11:46h
Atualizado, 17/09/26 às 12:05h

A migração contemporânea no Brasil tem ganhado contornos expressivos, e as mulheres imigrantes ocupam lugar central nesse fenômeno. Entre os bolivianos, que representam a segunda maior migração contemporânea do país, cerca de 52% são mulheres (dados extraoficiais). São pessoas que experimentam vulnerabilidades múltiplas, de gênero, de nacionalidade, de classe, e que exigem um olhar mais humano das políticas públicas e dos representantes eleitos. Foi nesse contexto que as candidatas Marina Silva e Simone Tebet participaram do evento “Plenário Rumo a Vitória”, promovido pela candidata à reeleição Juliana Cardoso (PT-SP), deputada federal por São Paulo, onde reafirmaram seus compromissos com a pauta da mulher imigrante.

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O encontro, realizado com cobertura do veículo Bolívia Cultural, contou com a presença de três mulheres no palco. Juliana Cardoso abriu o evento destacando a força das candidatas presentes: “Aqui estão três mulheres poderosas no palco hoje! Vamos votar nelas!”, declarou, direcionando seu apelo ao público que lotou o teatro do Palácio dos Trabalhadores.

 

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Marina Silva (REDE/PSOL), candidata ao Senado por São Paulo, defende acolhimento e dignidade às mulheres imigrantes: “A defesa dos direitos humanos sempre vai acolher essas pessoas”. (Foto: Bolívia Cultural).

Marina Silva: dignidade e acolhimento como pilares

Marina Silva, candidata ao Senado por São Paulo nas Eleições 2026 pelo partido REDE (federação com o PSOL), número de urna 180, dirigiu-se diretamente às mulheres imigrantes. Em sua fala, destacou a luta histórica das mulheres brasileiras e a necessidade de garantir dignidade a todos os povos.

“Para as mulheres do Brasil! Essas mulheres poderosas, corajosas, que lutam pela soberania do nosso povo, que lutam para que a gente tenha dignidade de vida, que lutam por justiça social”, afirmou Marina.

Questionada pelo repórter imigrante boliviano sobre o que diria às mulheres imigrantes em São Paulo e no Brasil, a candidata ressaltou a solidariedade internacional e a responsabilidade do país em acolher quem é forçado a deixar sua terra.

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“A gente luta muito para que todos os países possam ter vida digna para o seu povo”, respondeu. Em seguida, aprofundou: “Infelizmente, tem algumas situações em que muitas pessoas são obrigadas a, contra a sua vontade, ter que pedir socorro e abrigo em um outro país. Aqui no Brasil a defesa dos direitos humanos sempre vão acolher essas pessoas em conformidade com as nossas leis. Que a gente possa ter paz no nosso continente, soberania no nosso continente, democracia e vida digna para todos os nossos irmãos e irmãs.”

A fala de Marina dialoga diretamente com a realidade das mulheres bolivianas que migram para o Brasil. Muitas deixam seu país em busca de trabalho e condições mínimas de sobrevivência, e frequentemente enfrentam jornadas exaustivas, informalidade e situações de vulnerabilidade social. A defesa de uma política de acolhimento baseada nos direitos humanos, como propôs a candidata, justifica-se pela necessidade de garantir que essas mulheres não sejam duplamente penalizadas, por serem mulheres e por serem imigrantes.

 

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Simone Tebet (PSB-400), candidata ao Senado por São Paulo, defende acolhimento e proteção às mulheres imigrantes: “Mulher é mulher, protege a família. As mulheres imigrantes são mais do que bem-vindas.” (Foto: Bolívia Cultural).

Simone Tebet: “Mulher é mulher, protege a família”

Simone Tebet, candidata ao Senado Federal por São Paulo nas eleições de 2026, ex-ministra do Planejamento e Orçamento do governo Lula, concorre pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) com o número de urna 400. Questionada pelo repórter sobre a inclusão das mulheres imigrantes nas políticas de proteção, Tebet foi enfática ao defender que a nacionalidade não pode ser um critério de exclusão.

“Todas devem ser defendidas, não interessa a nacionalidade. Para nós, a divisão de fronteira é um mero acidente geográfico. Mulher é mulher, Mulher protege a família. Mulher protege as crianças. É uma mulher não largando a mão da outra. As mulheres imigrantes são mais do que bem-vindas, são acolhidas e são protegidas por todas nós”, declarou.

A fala de Tebet reforça a ideia de sororidade e de proteção integral, independentemente da origem. Ao afirmar que a fronteira é um “mero acidente geográfico”, a candidata posiciona-se contra discursos xenófobos e a favor de políticas de acolhimento que reconheçam a mulher imigrante como sujeito de direitos. Essa perspectiva é especialmente relevante diante dos dados que apontam as mulheres bolivianas como parte significativa da migração contemporânea no Brasil, muitas vezes inseridas em contextos de trabalho precarizado e sujeitas a violências específicas.

Tebet finalizou sua participação reafirmando o apoio ao presidente Lula: “Por isso que o nosso candidato é o presidente Lula. É um presidente de todos. É um presidente que ama as pessoas, que gosta de gente e que protege.”

 

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Marina Silva e Simone Tebet participam do “Plenário Rumo à Vitória”, promovido por Juliana Cardoso (PT-SP), reafirmando compromissos com a pauta da mulher imigrante. (Foto: Bolívia Cultural).

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Compromissos que precisam sair do papel

As declarações das candidatas, embora feitas em contexto eleitoral, apontam para demandas concretas da população imigrante feminina. A valorização da mulher imigrante passa necessariamente por políticas de acolhimento, regularização migratória, acesso à saúde, educação, trabalho digno e proteção contra a violência. O olhar mais humano mencionado na abertura desta reportagem só se concretiza quando o discurso se transforma em ação efetiva.

A reportagem do Bolívia Cultural, ao dar voz a essas candidatas e ao abordar a pauta da mulher imigrante, cumpre um papel fundamental de visibilizar uma população que frequentemente permanece à margem do debate público. As falas aqui registradas servem como compromisso público, e como parâmetro para que a sociedade cobre coerência entre o que se diz e o que se faz.

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