Estudo internacional valida propriedades únicas da quinua real boliviana

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Pesquisa da UMSA e Universidade de Lund confirma autenticidade biológica e vantagens nutricionais do grão andino

São Paulo, 30/06/26 às 15:01h
Atualizado, 01/07/26 às 11:13h

Uma rigorosa investigação acadêmica internacional, conduzida em parceria pela Universidad Mayor de San Andrés (UMSA), da Bolívia, e pela Universidade de Lund, da Suécia, acaba de validar cientificamente as qualidades biológicas e nutricionais que tornam a quinua real boliviana única no mercado global. O estudo, que contou com a participação de instituições nacionais e estrangeiras, representa um marco estratégico para o setor agroalimentar e para a ciência do país.

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Durante anos, os produtores do altiplano sul da Bolívia sustentaram, com base na experiência empírica transmitida entre gerações, que as condições climáticas extremas da região, marcadas por forte radiação solar, solos áridos e salinos, além de grandes amplitudes térmicas entre o dia e a noite, conferem à quinoa real atributos superiores em relação a outras variedades cultivadas no mundo. Entre essas características apontadas empiricamente estão grãos de maior tamanho, textura diferenciada, sabor mais pronunciado e, principalmente, um perfil proteico mais elevado e nutritivo. Os agricultores sempre observaram que a planta, submetida a um ambiente hostil, desenvolvia mecanismos naturais de resistência que, por consequência, resultavam em um alimento de qualidade excepcional, mais resistente a pragas e com melhores propriedades para o consumo humano. Essa sabedoria prática, construída ao longo de décadas de cultivo nas regiões dos salares de Uyuni e Coipasa, era compartilhada entre comunidades e valorizada no comércio local, mas esbarrava em um obstáculo significativo: a falta de comprovação científica padronizada e reconhecida internacionalmente.

No entanto, a ausência de dados científicos robustos e metodologicamente validados dificultava a defesa técnica do produto frente às variedades geneticamente modificadas ou adaptadas a outras regiões do planeta, que muitas vezes apresentavam maior produtividade ou resistência a pragas, mas não necessariamente o mesmo valor nutricional. Sem estudos comparativos rigorosos, a quinoa real boliviana ficava em desvantagem no mercado global, pois as certificações de qualidade e as alegações nutricionais exigem evidências concretas para serem aceitas por importadores, órgãos reguladores e consumidores mais exigentes. Além disso, a concorrência com países que passaram a cultivar quinoa em larga escala, muitas vezes com variedades adaptadas a climas menos severos, colocava em xeque a singularidade do grão andino, uma vez que as diferenças qualitativas não estavam devidamente documentadas em revistas científicas de prestígio. Essa lacuna impedia não apenas a valorização justa do produto no comércio exterior, mas também o reconhecimento do conhecimento tradicional dos povos do altiplano como um saber relevante para a ciência, o que só foi superado com a recente pesquisa publicada na npj Science of Food, que finalmente trouxe respaldo laboratorial às alegações dos produtores.

O estudo preenche essa lacuna ao individualizar o perfil químico e genético da variedade boliviana, fornecendo evidências concretas que atestam sua autenticidade e suas vantagens comparativas. Os resultados abrem caminho para a consolidação de políticas de propriedade intelectual e de denominação de origem, ferramentas essenciais para proteger o grão andino da concorrência desleal e da biopirataria no mercado internacional.

 

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A Quinua Real é um cultivo ancestral na Bolívia, um presente dos Andes para o mundo, e seu futuro como ‘superalimento’ está condicionado à sua sustentabilidade. Compreender o ecossistema, gerar maior organização local, conjugar o uso de tecnologia moderna e ancestral, agregar valor e conquistar mercados internacionais são fatores vitais para seu desenvolvimento. Essas e outras reflexões foram apresentadas no Fórum ‘Quinua Real: Rumo a uma agenda participativa na Bolívia’, organizado pela HIVOS e pelo IBCE, com a participação de atores que atuam no setor da quinua na Bolívia (2014). (Foto: eldiario.net).

 

Especialistas em economia agrícola apontam que a certificação científica abre novas fronteiras comerciais para pequenos e médios produtores. Com laudos técnicos que comprovam a qualidade superior da quinua real, o país pode justificar preços diferenciados no comércio justo, acessar mercados de alto valor na Europa e na Ásia e estruturar programas de desenvolvimento rural baseados em conhecimento aplicado.

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Estudo científico confirma superioridade nutricional da quinoa real boliviana Pesquisa com universidade sueca revela que grão cultivado nos salares tem mais fibras, ferro e aminoácidos essenciais que variedades de outros oito países Uma investigação da Universidade Mayor de San Andrés (UMSA), em parceria com a Universidade de Lund (Suécia), comprovou que a quinoa real boliviana possui características nutricionais superiores às variedades analisadas em outros oito países, incluindo Peru, Equador, Estados Unidos, Índia e China. O estudo concluiu que o grão cultivado entre os salares de Uyuni e Coipasa se destaca pelo maior teor de fibras, ferro e outros minerais, além de apresentar perfil mais favorável de ácidos graxos e aminoácidos essenciais, nutrientes fundamentais para a saúde digestiva, muscular e o funcionamento geral do organismo. Os pesquisadores atribuem essas propriedades às condições extremas da região, como a alta altitude, os solos salinos, o clima árido e as fortes variações de temperatura. Os resultados, publicados na revista científica npj Science of Food, do grupo Nature, dão respaldo científico às qualidades que produtores e consumidores já reconheciam na quinoa real boliviana. O trabalho fortalece ainda a “ciência soberana”, evidenciando o valor de um dos produtos mais emblemáticos do país. Fonte: TVU UMSA LP

 

A pesquisa demonstra, ainda, a importância da articulação entre universidades públicas locais e centros de pesquisa globais como motor para o desenvolvimento econômico e o prestígio internacional. Ao transformar em ciência o que antes era tradição, a Bolívia fortalece sua soberania sobre seus recursos genéticos e reafirma o valor de seu patrimônio agrícola para o mundo.

Com Informação:
Somos Uyuni

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