Sociedade civil lança SOS Memorial contra privatização I 30 de junho

Loading

Movimento reúne arquitetos, ativistas culturais, artistas e intelectuais em defesa da vocação pública do Memorial da América Latina; audiência pública ocorre no dia 30

São Paulo, 25/06/26 às 17:12h
Atualizado, 25/06/26 às 17:48h

Personalidades da sociedade civil lançam nesta terça-feira (30/06) o movimento SOS Memorial, em defesa da vocação pública, educativa e cultural da Fundação Memorial da América Latina. O ato ocorre na Escola da Cidade, das 9h às 12h, e contará com a presença de arquitetos, artistas, intelectuais e pesquisadores das universidades públicas paulistas.

Google search engine

O anfitrião da cerimônia será o arquiteto e educador Ciro Pirondi, conselheiro da Fundação Oscar Niemeyer, que conhece o Memorial desde sua fundação, tendo atuado com Niemeyer nos anos 1980. O encontro deve produzir ao final uma Declaração à cidade e aos poderes constituídos.

 

726908489_18593520871050253_860996549521002575_n

 

Entre os confirmados estão Fernando Moraes, Fábio Magalhães, Maureen Bisilliat, João Batista de Andrade e Maria Bonomi, que não estará presente por motivo de saúde, mas enviará um depoimento gravado. A programação começa com a exibição de um documentário de 18 minutos sobre o Memorial, seguida de uma conversa sobre “Patrimônio, Memória e Educação” conduzida pela professora Yanet Aguilera (Unifesp), antiga colaboradora do Memorial em projetos culturais. Em seguida, serão ouvidos depoimentos de pessoas relevantes na história do espaço.

Um dos aspectos destacados pelo SOS Memorial é o lançamento, neste semestre, do Distrito Acadêmico do Memorial, mecanismo que envolve as três universidades públicas paulistas (USP, Unesp e Unicamp) e resgata o projeto original de Darcy Ribeiro. A iniciativa contrasta com o movimento do governo estadual, que incluiu o complexo projetado por Oscar Niemeyer no programa de concessões e privatizações sem consulta prévia à Fundação que o administra.

 

Audiência pública na Alesp

No mesmo dia 30, às 19h, o Plenário Tiradentes da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo sediará a Audiência Pública “Em defesa do Memorial da América Latina”. Convocada por deputados estaduais, a ideia é que representantes do governo estadual expliquem os motivos e os planos de privatização deste equipamento público de importância estratégica para a América Latina.

Google search engine

 

724824565_18592993813050253_1245120114108834712_n

 

A Fundação Memorial da América Latina, criada em 1989, abriga há duas décadas a Cátedra UNESCO e mantém parcerias acadêmicas permanentes com as universidades públicas paulistas, além do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina (CBEAL). O acervo da instituição conta com cerca de 6 mil obras.

 

O Memorial foi sede da Alasita, desfiles cívicos e festivais folclóricos da Bolívia; ativistas da comunidade apoia mobilização contra privatização

O Memorial da América Latina, na Barra Funda, consolidou-se ao longo das últimas décadas como o principal palco das manifestações culturais da comunidade boliviana em São Paulo. O espaço, que integra o projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer e a visão integracionista de Darcy Ribeiro, tornou-se referência obrigatória para as festividades que celebram as tradições folclóricas e culturais da Bolívia na capital paulista.

Entre os eventos de maior expressão realizados no local estão o desfile cívico em homenagem à Independência da Bolívia, o festival folclórico Fé & Cultura, o desfile folclórico Eu Amo Bolívia, Carnaval Boliviano, Ano Novo Andino além da tradicional festa da Alasita, a festa da abundância andina, que acolheu milhares de visitantes. As celebrações reúnem famílias, grupos folclóricos, artesãos e músicos, transformando o Memorial em um ponto de encontro da diáspora boliviana e de outros latino-americanos.

 

467461

 

Para o diretor do Portal de Notícias Antonio Andrade Vargas, o Memorial é considerado a “meca do folclore boliviano em São Paulo”. A afirmação reflete a importância do espaço para a preservação das tradições culturais dos imigrantes, andinos, afros e amazônicos da Bolívia, que encontraram no complexo projetado por Niemeyer um lugar de acolhimento e expressão de sua identidade.

 

6507

 

A direção da Rede Planeta América Latina & Bolívia Cultural manifestou apoio à luta pela manutenção da vocação pública do Memorial, que atualmente corre risco de ser privatizado pelo governo do Estado de São Paulo. O movimento SOS Memorial, lançado por personalidades da sociedade civil, artistas, intelectuais e universidades públicas, defende a continuidade do espaço como equipamento cultural voltado à integração latino-americana.

 

1001

 

Nesta terça-feira (30/06), o movimento realiza seu lançamento na Escola da Cidade, às 9h. À noite, a partir das 19h, a Assembleia Legislativa de São Paulo sedia audiência pública para debater os planos do governo estadual para o complexo. A comunidade boliviana promete marcar presença em ambas as atividades.

Google search engine

PUBLICIDADE

Compartilhe esta postagem:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Telegram
WhatsApp
Email
Print
Veja Também