Ato em São Paulo manifesta solidariedade ao povo boliviano em meio à crise política e repressão

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Movimentos sociais e coletivos de migrantes se reúnem nesta segunda-feira (22) no Consulado da Bolívia, na Vila Mariana, para protestar contra a violência e exigir a liberdade de presos políticos

São Paulo 18/06/26 às 13:05h

A crise política e humanitária na Bolívia, que já dura mais de um mês, mobiliza a sociedade civil em São Paulo. Nesta segunda-feira (22), às 12h, um ato de solidariedade ao povo boliviano reunirá movimentos sociais, sindicatos, coletivos de migrantes e simpatizantes em frente ao Consulado da Bolívia, localizado na Rua Coronel Artur Godói, 7, na Vila Mariana.

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O protesto ocorre em meio a um cenário de forte tensão na Bolívia, onde protestos populares têm sido duramente reprimidos. Apenas entre maio e junho, o relatório da Defensoria Pública boliviana contabilizou 10 mortes, 37 feridos e 365 detenções em decorrência dos conflitos . Em um dos episódios mais recentes, a justiça boliviana condenou 10 manifestantes a três anos de prisão pela ocupação de um campo petrolífero em Santa Cruz.

As demandas do ato

Os organizadores do ato em São Paulo elencam três pautas centrais:

1 – Liberdade dos manifestantes detidos: A repressão tem atingido lideranças sociais e trabalhadores que participam dos bloqueios e protestos contra o governo do presidente Rodrigo Paz. A Central Operária Boliviana (COB), organizações camponesas e grupos indígenas são os principais articuladores das mobilizações.

2 – Defesa dos direitos dos trabalhadores, mulheres, camponeses e povos indígenas: As manifestações na Bolívia eclodiram após uma série de medidas impopulares do governo Paz, como o fim dos subsídios aos combustíveis, a reforma agrária que prevê a conversão de pequenas propriedades em médias, interpretada como estímulo à venda de terras para grandes produtores, e a proposta de reforma constitucional que, segundo críticos, pode abrir caminho para a privatização de recursos naturais.

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3 – Solidariedade internacional entre os povos: O ato busca fortalecer os laços de apoio à diáspora boliviana no Brasil e pressionar diplomaticamente por uma solução pacífica para a crise.

A situação na Bolívia

Os protestos na Bolívia já paralisam o país há mais de cinco semanas. Bloqueios em estradas, são mais de 90 pontos de interdição, isolaram grandes cidades, como La Paz e El Alto, causando desabastecimento de combustível, alimentos e medicamentos. O governo brasileiro, em resposta à crise humanitária, anunciou o envio de ajuda humanitária à Bolívia, com um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) preparado para transportar suprimentos .

Apesar das negociações, o presidente Rodrigo Paz sancionou uma lei que facilita a decretação de estado de exceção, medida que pode suspender direitos constitucionais e autorizar as Forças Armadas a atuar na repressão aos bloqueios. A oposição, no entanto, recusa o diálogo e mantém a exigência de renúncia do presidente.

Contexto local e organizações convocantes

O ato desta segunda-feira reúne organizações que atuam diretamente com a comunidade boliviana e imigrante em São Paulo. Entre as entidades convocantes estão o CEMIR Centro da Mulher Imigrante e Refugiada; Coletivo Si Yo Puedo; Rede MILBI+ (rede de apoio a migrantes internacionais LGBTQI+); Trans Migrantes Abya Yala; Diálogo e Ação Petista; Warmis Convergência de Culturas; e o Movimento Independente da Luta por Habitação da Vila Maria.

A escolha do Consulado da Bolívia como local do protesto não é aleatória. A comunidade boliviana em São Paulo tem histórico de denúncias contra a gestão consular, incluindo relatos de atendimento hostil, cobranças abusivas por documentos e falta de transparência. A manifestação também lembra mobilizações anteriores, como as de 2020, quando bolivianos protestaram no mesmo local pelo direito ao voto nas eleições do país.

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