Venezuelanos no Brasil Celebram Prisão de Maduro em Ato na Paulista

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Em ato pacífico na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, famílias venezuelanas expressam alívio, esperança e o desejo unânime de voltar à pátria.

São Paulo • 03/01/26 às 21:34h
Atualizado • 04/01/26 às 16:13h

Uma mistura de alegria contida, lágrimas e esperança renovada marcou a tarde deste sábado 3 de janeiro, na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista. Em torno de duzentos venezuelanos que vivem no Brasil se reuniram em uma manifestação pacífica para celebrar a notícia da prisão do líder venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos. O sentimento que uniu todos os depoimentos, independentemente de idade ou trajetória, foi um só: o profundo desejo de, finalmente, poder retornar à Venezuela.

A notícia, recebida com incredulidade nas primeiras horas da madrugada, rapidamente se espalhou por grupos de mensagens e redes sociais, culminando no encontro convocado de forma orgânica. Entre bandeiras tricolores, camisetas com símbolos de liberdade e rostos pintados, histórias de anos de saudade e exílio forçado foram compartilhadas.

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“Meu coração está na Venezuela”

Para muitos, como um jovem que carregava a bandeira amarrada ao pescoço, a notícia significou o fim de um ciclo. “Estou muito alegre… Ya terminó, se fue una dictadura”, disse, listando suas três formações universitárias (arquiteto, administrador, contador) que não pôde exercer em sua terra natal devido à crise. Ele deixou uma filha, hoje com 12 anos, para trás. “Tengo 9 años aquí en Brasil… Mi corazón está en Venezuela. Yo estoy presente aquí y mi corazón está allá”, afirmou, representando o dilema de milhares: a gratidão ao Brasil que os acolheu e o puxão irremediável da pátria distante.

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A espera de anos por um reencontro

O peso da separação familiar foi um dos temas mais dolorosos. Uma senhora, aflita com um sorriso amplo e olhos marejados, com a sobrinha pequena nos braços, contou que seu pai, já cego, há quase nove anos não a vê. “Él no sabe cómo estoy… Cuando él me ve, yo tengo que decirle ‘soy tu hija que vive en Brasil'”, relatou, com a voz embargada. Apesar da felicidade, seu retorno não é imediato devido aos compromissos no Brasil. Sua mensagem para os que ficaram: “Que no perdamos nunca la fe”.

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Alívio histórico e cautela

O alívio foi descrito como físico. Uma senhora, acompanhada da filha adolescente, disse ter sentido o coração “sair do peito” ao ler as mensagens no celular de madrugada. No entanto, a euforia é temperada pela cautela, alimentada por anos de adversidade. Familiares dentro da Venezuela relataram, por telefone, um silêncio atípico nas ruas. “La gente tiene miedo de que acontezca algo peor”, explicou a mesma senhora. A avó também citou o receio: “Mi mamá dice que no hay que confiarse mucho, porque quedan muchos del régimen allá”.

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O sonho do retorno e da reconstrução

A pergunta “Piensas volver a Venezuela?” foi respondida com um “sí” unânime e carregado de projetos. Um pai de família, que compareceu com a esposa e os filhos, falou em “saltar de alegría”, mas ponderou: “El trabajo será duro… no es a corto el plazo”. Ele avalia os próximos passos com esperança realista. Uma senhora de 60 anos, usando uma camiseta das eleições passadas como símbolo de luta, planeja juntar recursos para voltar ao Estado de Anzoátegui e reabrir seu negócio. Seu recado para os conterrâneos: “¡Calma, mucha calma!”.

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Um país que quer reencontrar sua vocação

Em um discurso que estremeceu  o corpo dos presentes, uma mãe emocionada lembrou a Venezuela acolhedora de outrora, “que abre las puertas a todos”, e fez um apelo à união. “Realmente creo que es el momento de dejar atrás nuestras diferencias… y creo que nosotros seguiremos siendo ese país acogedor”.

O ato na Paulista foi mais do que uma celebração; foi um ritual coletivo de resgate da esperança. Embora o caminho à frente seja incerto e desafiador, para aquelas famílias sob o sol de São Paulo, o primeiro e mais importante passo, o fim do que chamam de ditadura, foi dado. E com ele, renasce o sonho, há tanto tempo adiado, de voltar para casa.

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Confira as imagens exclusivas registradas pelo Bolívia Cultural durante o ato. (AQUI)

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