Xenofobia em São Paulo: Pichação criminosa ataca imigrantes bolivianos na Mooca

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“Fora Bolivianos”: Crime de ódio em bairro histórico de imigrantes revolta moradores e expõe ferida do racismo em SP

Publicado • 03/05/25 às 19:18h
Atualizado • 03/05/25 às 21:52h
Por: Antonio Andrade

Uma onda de indignação tomou conta do tradicional bairro da Mooca, em São Paulo, após a aparição de pichações xenofóbicas contra a comunidade boliviana. Com frases como “Fora Bolivianos”, os atos criminosos, encontrados em muros próximos ao Teatro Gamaro e em outras localidades do bairro, foram denunciados por moradores e ativistas como um ataque não apenas a um grupo específico, mas a toda a história de diversidade que construiu a cidade.

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Crimes ocorreram em um raio de 50 metros e foram registrados na madrugada do dia 1º de maio; especialistas apontam padrão diferente dos habituais ideogramas usados por pichadores locais.. Fotos – Bolívia Cultural.
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Mapa ilustram os pontos do crime de Xenofobia e Racismo – Google Maps

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Um bairro erguido por imigrantes, alvo de intolerância

A Mooca, conhecida por sua forte herança cultural italiana, espanhola e portuguesa, é um símbolo da São Paulo plural — uma metrópole que se desenvolveu graças às mãos de quem chegou de longe. No século XIX, o bairro recebeu milhares de europeus para trabalhar nas fábricas que impulsionaram a industrialização paulistana. Hoje, os bolivianos assumem um papel fundamental no setor têxtil, mantendo viva a tradição de uma economia movida pela força migrante.

Mas na manhã de quinta-feira, 1º de maio, Dia do Trabalhador, a cena foi outra: pichações criminosas, enquadradas na Lei nº 9.459/97, que prevê pena de um a três anos de reclusão para crimes de xenofobia. As mensagens de ódio, localizadas na Rua Dr. Almeida Lima e arredores, ecoaram como um golpe contra a identidade multicultural do bairro.

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“Isso não representa o Brasil”: Moradores repudiam o ódio e solidarizam-se com vítimas

A reação dos paulistanos foi imediata. Nas redes sociais, manifestações de apoio à comunidade boliviana se multiplicaram, enquanto lideranças locais e vizinhos destacaram a importância dos imigrantes para a cidade. “O Brasil foi feito por quem veio de fora. Essa pichação é um crime e não fala por nós”, afirmou uma moradora do entorno.

O Teatro Gamaro, espaço cultural que teve seu muro vandalizado, também se posicionou, classificando o ato como “um atentado contra a diversidade que nos orgulha” “esta atitude não nos representa”. A Prefeitura de São Paulo foi acionada para a remoção das pichações, enquanto coletivos antiracistas e de direitos humanos organizam ações de combate a este tipo de crime.

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Xenofobia é crime: a luta contra a discriminação não pode parar

O caso na Mooca não é isolado. Ele reflete um cenário nacional de aumento de discursos de ódio contra imigrantes. Organizações alertam para a necessidade de políticas públicas eficazes no combate à xenofobia e na garantia de direitos básicos, como trabalho digno e acesso à justiça.

Enquanto a polícia investiga os responsáveis pelas pichações, a sociedade civil se mobiliza contra o ódio. A resposta deve ser sempre mais solidariedade, nunca silêncio.

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