Vítima boliviana perde o braço em acidente de ônibus clandestino no Brasil

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Mãe de família perde braço em acidente com ônibus irregular, expõe falhas na fiscalização entre Brasil e Bolívia e alerta: “Sua vida está em jogo”.

Publicado: 01/06/23 às 12:18h
Atualizado: 29/12/25 às 09:36h

A história de Josefina, uma imigrante boliviana de 33 anos, é um relato angustiante das consequências trágicas que podem decorrer de escolhas arriscadas e da atuação de empresas de transporte clandestinas. A entrevista foi realizada em 30 de maio de 2023, no bairro do Brás, em São Paulo. De 2022 a 2025, o panorama das irregularidades no transporte que envolve imigrantes bolivianos não mudou significativamente, e acidentes têm sido normalizados pelos usuários.

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Josefina, nome fictício utilizado para proteger sua identidade, compartilha como a empresa irregular na qual confiou não apenas falhou em fornecer conforto, mas colocou sua vida em perigo. O relato evidencia a ausência de medidas de segurança básicas, um risco ainda maior em épocas como as festas de fim de ano, quando o volume de viagens internacionais aumenta.

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Consciente da irregularidade do serviço, a busca por economia a levou a uma decisão que mudou sua vida para sempre. “Perdi meu braço por economizar 50 reais”, lamenta. O acidente ocorreu por volta da 1h da madrugada de 16 de dezembro de 2022, na Rodovia Castelo Branco (SP), km 315, quando o ônibus, com sinais de falhas mecânicas, perdeu o controle e capotou. Seus dois filhos sofreram queimaduras graves e seguem internados (relatado em 23/05/23).

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Além das sequelas físicas, Josefina relata a total falta de suporte da empresa. Após o acidente, recebeu apenas ameaças, sem qualquer assistência hospitalar ou financeira. Antes costureira, ela sonhava comprar uma casa, mas a perda do braço tornou o sonho distante. Seu marido, com problemas de visão, também não pode mais costurar, deixando a família em situação de extrema vulnerabilidade.

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Legislação brasileira existe, mas fiscalização é falha

No Brasil, o transporte interestadual e internacional de passageiros é regulado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A lei (Lei nº 11.442/2007 e Resoluções da ANTT) exige autorização, seguro obrigatório, vistoria veicular e motoristas habilitados. Operar fora dessas normas configura crime, com penas que vão de multas pesadas à apreensão do veículo. No entanto, a aplicação efetiva esbarra na escassez de agentes e na extensão territorial.

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Descaso bilateral: a rota da impunidade

O problema é agravado pela fiscalização frágil nos dois lados da fronteira. Na Bolívia, a regulação é menos rígida e a cooperação binacional para coibir essas rotas é insuficiente. Muitas empresas atuam como “agências de turismo” informais, burlando controles. Esse vazio permite que veículos inseguros, muitas vezes sem documentação ou manutenção, façam viagens de alto risco com passageiros que buscam tarifas mais baixas.

Josefina faz um apelo às autoridades: “Que fiscalizem mais, para evitar que outros passem pelo que passei”. Sua tragédia reforça a urgência de políticas públicas que garantam segurança no deslocamento, especialmente para populações imigrantes em situação econômica frágil.

Enquanto isso, ela e sua família lutam não apenas pela recuperação, mas por justiça, um alerta sombrio de que, no transporte clandestino, a vida é a moeda de troca.

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Em uma investigação secreta, a TV Record desvendou o submundo dos transportes clandestinos no Brás. Assista à reportagem que expõe a precariedade e o desespero de quem arrisca a vida por uma passagem mais barata.

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