Costureira boliviana redireciona negócio durante a pandemia e aposta na confecção

Exemplo de resiliência após ter sido vítima de exploração em oficina têxtil, imigrante muda foco e investe na produção de máscaras.

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Ativar o empreendedorismo foi libertador para a boliviana Jhannyna Maria Nina Siñani, 40 anos. E não é força de expressão: ao chegar no Brasil, em 2010, ela viveu e trabalhou em condições insalubres por quase um ano até conseguir abrir sua própria oficina de costura, em São Paulo. Hoje, ela conta com redes de apoio para empreender, o que tem feito a diferença na pandemia.

A Linhas Divinas fica anexa à casa da família, no bairro da Mooca. Diante das dificuldades que chegaram com o coronavírus, Nina mudou o foco do negócio e, além de se dedicar aos serviços de costura, se lançou na confecção e passou a produzir máscaras de proteção, inicialmente com uso de retalhos.

A estratégia não deu certo logo de cara, mas se tornou realidade por persistência da boliviana, que virou personagem de abril nas inserções do VAE na Rede Globo e na Globo News (assista).

“Tive a ideia de fazer estampas diferentes, bordados. Então, procurei outros tipos de parceiros que pudessem colaborar”, explica a costureira, que também precisou estudar para garantir que o material produzido atendesse às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Costureira boliviana redireciona negócio durante a pandemia e aposta na confecção

Redes de apoio

A exemplo do que tem acontecido nos últimos anos, ela contou com programas como o “Tecendo Sonhos”, iniciativa empenhada em transformar a cadeia têxtil em uma rede mais justa. Nina se capacitou para produzir corretamente as máscaras e buscou orientações sobre segurança e saúde em tempos de pandemia e oportunidades em momentos de crise.

A costureira ainda aprendeu a usar o digital a favor dos negócios e, atualmente, faz encomendas e vendas online, pedidos que não se limitam a máscaras. “Quando conhecemos essas pessoas (das redes de apoio), tudo muda. Estou tentando aproveitar ao máximo essa oportunidade”, afirma Nina, que destaca ainda a importância da regularização para melhor inserção no mercado.

Na oficina, ela conta com a ajuda do marido, além do reforço de um dos três filhos quando o assunto é modelagem. Se necessário, a costureira contrata freelancers, enquanto aguarda o dia em que poderá ter uma equipe maior.

“Meu plano é crescer, ter mais pessoal e tentar ensinar e ajudar outros imigrantes”, afirma a boliviana, que não esquece do que viveu quando chegou a São Paulo.

A trajetória também inspirou Nina a fundar a Rede de Empreendedores Imigrantes Sempre Adelante, rebatizada de “Costurando Sonhos”, uma rede de oficinas de costura formada majoritariamente por bolivianas.

A ideia é mostrar que é possível trabalhar com dignidade, em oficinas regularizadas, diferentemente da situação vivida por ela quando chegou ao Brasil.

Paralelamente, ela participa de um grupo composto por mulheres de diferentes países, também em situação de vulnerabilidade, mas que não integram a rede. Estudante de Assistência Social quando deixou a Bolívia, ela segue em defesa dos direitos humanos, no trabalho ou fora dele.

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fonte: g1.globo.com

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