Seminário Internacional COSMOLOGIAS, com palestra do boliviano Simón Yampara Huarachi

Ao produzir um discurso sobre o mundo, uma cosmologia, a ciência moderna cria também uma forma de observá-lo que assume uma separação básica: somos observadores de um universo que existe independente de nós. Porém, ao mesmo tempo em que isso acontece, a cosmologia científica, além de ainda não ter conseguido construir um modelo fechado para o que procura representar, possui uma característica peculiar que perturba a ordem científica: sujeito e objeto de conhecimento são inseparáveis.

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Seminário Internacional COSMOLOGIAS, com palestra do boliviano Simón Yampara Huarachi

Ao nos aproximarmos de alguns regimes de pensamento estudados pela antropologia, descobrimos maneiras radicalmente outras de pensar o cosmos, outras cosmologias. De que modo esse encontro com a alteridade nos obriga e ajuda a repensar nossos modos de conhecer e agir? Os modos de vida indígenas têm ocupado um papel central nesta discussão, à medida em que a compreensão das filosofias ameríndias revela como, de seu ponto de vista, a própria separação entre homem e natureza perde sentido.

Radicalizando o compromisso de levar a sério o pensamento dos sujeitos que estuda, alguns antropólogos vêm defendendo que esses outros discursos sobre o cosmos não podem ser tratados como visões alternativas sobre um mesmo (o nosso) mundo, mas outros mundos em si mesmos.

Assim, tomamos aqui a liberdade de usar o termo cosmologias para designar essas múltiplas - existentes ou imaginadas (se é que essa distinção tem sentido) - formas de vida, colocando em diálogo ideias que vêm sendo desenvolvidas dentro da ciência, da antropologia e da arte a partir das práticas que definem cada um desses campos. Tendo em vista a necessidade que se coloca hoje diante de nós, e evidenciando as consequências que diferentes modos de pensar engendram, algumas questões surgidas desse questionamento geral deverão servir de guia para as reflexões e discussões que terão lugar ao longos dos três dias do encontro.

De que maneira a ciência moderna construiu a separação entre sujeito e objeto com a qual opera, e como essa divisão que acontece ali é parte fundadora do pensamento moderno? Como a cosmologia científica, a antropologia e a arte se posicionam diante dessa questão? Sobre que pressupostos a cosmologia científica estrutura o discurso científico sobre a origem do universo? De que maneira ela se diferencia da física enquanto prática científica? Como as variadas práticas de conhecimento indígenas lidam com isso que chamamos natureza? Que outras formas de organização política engendram? Quais as implicações políticas e estéticas dessas cosmologias? Qual o papel do pensamento mítico para essas e outras práticas? Qual o papel da arte no cenário em que vivemos hoje? De que maneira as práticas artísticas podem propor reflexões que lidem com a impossibilidade que temos de criar uma única imagem para o cosmos? Por fim, o que significa resistir para esses diferentes regimes de pensamento?

Simón Yampara Huarachi
Aymara, comunario, académico e investigador docente universitario. Nació en el Ayllu Jach’a Chambi Municipio Papelpampa, prov. G. Villarroel del departamento de La Paz-Bolivia. Combina su trabajo: comunario agricultor, parte de las familias de la Saya Saraqa Jach’a Yampara del Ayllu Jach’a Chambi y docente universitario de la Universidad Pública de El Alto UPEA, la UMSA y programas de pos grado en diferentes universidades, la relación espacio urbano y rural  sobre todo la vivencia del ayllu le motiva la permanente investigación de procesos y dinámicas de sistemas de vida, paradigmas de vida de los ayllus andinos y la convivencia con el pluriverso de mundos bióticos. Estudios, sociólogo de formación, varios diplomados y especialización, maestría en educación superior y proyectos, doctorado en Ciencia, Tecnología Humanidades mención Perspectivas Epistemológicas y Construcción de Conocimientos en la UPEA en convenio con las universidades de Chapingo de México y Bremen de Alemania.
(Foto: Acervo Pessoal)

 
Programação:

17/9
17/9
10h: Conferência: "O que significa existir?"
Com Flora Süssekind (crítica de literatura - UniRio/Fundação Casa de Rui Barbosa) e Mario Novello (cosmólogo - CBPF).
Mediação: Bruno Siniscalchi.

14h: Mesa: "Cosmologias e políticas na arte"
Com Gleide Cambria (coreógrafa de dança afro-brasileira), Jaider Esbell (artista) e
Marília Garcia (poeta).

17h: Apresentação artística: aula de dança afro-brasileira com Gleide Cambria.

18/9
10h: Conferência: "Cosmopolíticas do bem-viver"
Com Simón Yampara (sociólogo - UPEA) e Tania Stolze Lima (antropóloga - UFF).
Mediação: Joana Cabral de Oliveira

14h: Mesa: "Cosmologias e políticas na ciência"
Com Alan Alves Brito (físico - UFRGS), Marco Antonio Valentim (filósofo - UFPR) e Tatiana Roque (matemática - UFRJ).

17h: Apresentação artística: leitura de poemas com Marília Garcia e lançamento de livro de Simón Yampara.

19/9
10h: Conferência: "Como (re) existir?"
Com Daniel Lima (artista) e Sônia Guajajara (liderança indígena).
Mediação: João Paulo Reys.

14h: Mesa: "Cosmologias e políticas indígenas"
Com Joziléia Daniza Kaingang (antropóloga - UFSC), Marina Vanzolini (antropóloga - USP)
e Renato Sztutman (antropólogo - USP).

17h: Encerramento: exibição do curta metragem “Não Vamos Obedecer”, de Daniel Lima e Felipe Teixeira.

Seminário Internacional Cosmologias
17/9 a 19/9
Terça a Quinta, 10h às 17h.

Centro de Pesquisa e Formação do Sesc em São Paulo
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar
Bela Vista - São Paulo.

R$ 18,00 - credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 30,00 - pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 60,00 - inteira

fonte: .facebook.com/events/

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