Colunas do Minhocão ganham rostos multiétnicos em Sampa

Diana, indígena boliviana ilustra parte do projeto da artista Raquel Brust que decora colunas do Elevado Presidente João Goulart no centro de São Paulo.

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Gabriela Sandy

Giganto é o projeto de instalação com fotografias hiperdimensionadas de Raquel Brust. O trabalho consiste em utilizar a arquitetura da cidade como suporte para uma exposição fotográfica que reage à paisagem e interage com o público.

Imagem/reprodução

A proposta é uma fotografia ativa, onde obra e espectador se confundem. Cada Giganto é único, pois o local onde será instalado inspira o tema e conduz a pesquisa pelos personagens. Diluindo barreiras entre arte, antropologia visual e intervenção urbana, o projeto propõe captar a potência dos olhares e revelar a essência dos retratados. Transformar pessoas comuns em gigantos é um processo que exige intimidade e se orienta pela valorização do indivíduo, de sua identidade e de sua memória. Para aqueles que participam do processo o retorno é imediato, tanto para os que estão envolvidos na produção e execução do projeto quanto para os que convivem com a obra. A paisagem é alterada e a arte é inserida no cotidiano da cidade, o que democratiza o acesso à cultura. Há uma ruptura na rotina e instantes de poesia são inseridos na vida das pessoas que caminham míopes pelas ruas. Enquanto todos fazem parte de uma massa única e sem rosto, um Giganto é inserido como um alerta de que há complexidade em cada unidade, que há uma família em cada janela, de que cada um é único e merece atenção. Essa fotografia olha para o espectador, e o faz questionar sobre o cenário que está inserido.

As pessoas são vistas como esculturas trabalhadas pelo tempo, e cada traço manifesta o que há de mais precioso em suas almas. Esses retratos são carregados de emoção, e é por essa impactante forma de fotografar que a obra ganha mais força e a sua dimensão se justifica. Cada vida é uma luta, e cada Giganto evidencia sentimentos comuns à humanidade. Além disso, a experiência de se tornar um Giganto altera a percepção de si mesmo, de sua singularidade e de como é visto pela sociedade. E não é somente quem está no retrato que é tocado por essa transformação, são também aqueles que se identificam com a imagem, que convivem com alguém parecido ou percebem na expressão do rosto gigante um sentimento compartilhado. Na era do culto à beleza a qualquer preço e da busca pela eterna juventude, o projeto substitui os modelos perfeitos das publicidade por pessoas reais que exibem sua materialidade e impermanência.

O Giganto surgiu e foi premiado pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo em 2008. Já foi apresentado em exposições individuais no Sesc Bertioga (2013), Sesc Santana (2012), [email protected]ão Paulo (2012), Festival Foto em Pauta (2012, Tiradentes), Festival Paraty em Foco (2011), Galeria Emma Thomas (2012, São Paulo); e nas nas coletivas Geração 00 – A Nova Fotografia Brasileira (2011) e Mostra Sesc de Artes (2010). Em outubro deste ano, o Giganto participa do festival PhotoEspaña.br, uma parceria entre Sesc e o festival internacional PhotoEspaña. A instalação ocupa todas as colunas de sustentação do Elevado Costa e Silva, o controverso Minhocão, no trecho da Av Amaral Gurgel e algumas colunas do trecho da Av São João.

fonte: projetogiganto.com.br

 

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