Profissional boliviana celebra 20 anos de carreira na saúde em SP com atuação na neuropsicologia e na cultura andina

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Iris Lafuente Avila, docente de neuropsicologia e psicologia hospitalar, equilibra carreira no maior polo médico do país, maternidade e preservação das tradições ancestrais da Bolívia

São Paulo, 18/08/26 às 19:00h
São Paulo, 18/08/26 às 20:46h

A história de Iris Lafuente Avila no mercado da saúde paulistano é também a história de uma mulher imigrante que construiu, ao longo de duas décadas, uma carreira de excelência em um dos ecossistemas médicos mais competitivos e exigentes do Brasil. São Paulo, reconhecido como o maior centro de saúde e ensino médico da região, concentra os melhores hospitais, as mais renomadas instituições de pesquisa e os profissionais mais qualificados do país, e é exatamente nesse ambiente de alta performance que Iris se firmou como referência. Formada EM 2026 pela Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina, ela é docente de pós-graduação em Neuropsicologia e Psicologia Hospitalar, conciliando a prática clínica intensiva nos corredores hospitalares com a missão de formar novas gerações de profissionais que, assim como ela, levarão o cuidado humanizado a milhares de pacientes.

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A neuropsicóloga e docente Iris Lafuente Avila marcou presença na Pré Entrada Folclórica Boliviana, realizada no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, vestindo o traje dos Caporales San Simón, grupo de dança tradicional que integra desde sua chegada ao Brasil. Iris une em sua trajetória a excelência acadêmica à valorização da cultura andina, participando ativamente de manifestações que preservam a identidade boliviana na capital paulista. (Foto: Leonor Hills).

 

Chegar a esse patamar, para uma imigrante boliviana que desembarcou em São Paulo em busca de oportunidades, exigiu não apenas competência técnica, mas uma resiliência construída dia após dia. Em um mercado onde a concorrência é acirrada e a exigência por atualização constante é regra, Iris não apenas sobreviveu, ela prosperou, conquistando espaço em um ambiente historicamente dominado por profissionais formados nas grandes universidades brasileiras. Sua jornada é prova de que talento e dedicação não conhecem fronteiras, e que a diversidade cultural traz contribuições valiosas para um sistema de saúde que atende a uma das populações mais diversas do mundo.

 

O cuidado como missão: duas décadas de aprendizado humano

A trajetória da profissional, no entanto, não se sustenta apenas no rigor acadêmico e na dedicação hospitalar. O que verdadeiramente distingue Iris é a forma como ela enxerga o ato de cuidar, não como uma aplicação fria de protocolos, mas como um encontro profundo entre duas pessoas. Em sua própria avaliação, publicada em redes sociais no dia 15 de janeiro, Iris atribui parte significativa de sua maturidade profissional ao aprendizado construído com pessoas reais, em dias fáceis e, principalmente, nos difíceis. Ela reconhece que cada paciente, cada família, cada aluno e cada colega que cruzou seu caminho deixou marcas profundas em sua forma de atuar, ensinando-a a escutar melhor, a enxergar além dos sintomas e a compreender que a ciência e a humanidade caminham juntas, lado a lado, como parceiras inseparáveis no processo de cura.

 

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O estímulo que move a trajetória de Iris Lafuente vai além da prática clínica: palestrar, educar e formar profissionais são pilares de sua atuação na construção de uma nova proposta de saúde humana no Brasil. A imagem, registrada em seu acervo pessoal, traduz a essência de quem acredita que transformar a saúde passa necessariamente pela formação de novas gerações com olhar atento, ético e acolhedor, valores que ela leva para salas de aula, hospitais e palestras por todo o país.. (Foto: Acervo pessoal).

 

Ao longo desses 20 anos, Iris desenvolveu uma sensibilidade que vai além da técnica. Ela aprendeu a sustentar silêncios quando as palavras não eram suficientes, a celebrar pequenas conquistas que para o paciente representam vitórias imensas e a oferecer colo quando a vida pesa demais. Essa abordagem, que ela própria descreve como uma “missão de vida”, transformou sua atuação em um modelo de cuidado que integra o melhor da ciência neurológica com a mais profunda compreensão da condição humana, uma combinação rara e preciosa em um sistema de saúde frequentemente marcado pela pressa e pela impessoalidade.

 

A força da família como alicerce de uma carreira sólida

Ainda segundo seu relato, sua profissão nunca foi apenas um projeto de realização pessoal, mas uma vocação que se alimenta do desejo genuíno de oferecer acolhimento e sentido quando tudo parece confuso. Esse olhar humanizado, que atravessa duas décadas de atuação, encontra força em suas raízes familiares e culturais. Mãe de Katherine e Murilo, Iris descreve os dois filhos como seus tesouros mais apreciados, dedicando a eles suas maiores energias, um pilar que, segundo ela, dá sustento à caminhada profissional. Em suas próprias palavras, é a família que oferece o chão firme de que ela precisa para voar alto na carreira, e é por eles que ela busca, a cada dia, sua melhor versão.

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A maternidade, para Iris, não foi um obstáculo à sua ascensão profissional, mas um combustível que potencializou sua empatia e sua capacidade de cuidar. A experiência de ser mãe trouxe à sua prática clínica uma compreensão ainda mais profunda sobre a fragilidade e a força humanas, sobre a importância do vínculo e sobre o poder transformador do afeto, lições que ela transporta para cada atendimento, para cada sala de aula e para cada orientação que oferece a seus alunos.

 

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Raízes andinas: a cultura boliviana como identidade e resistência

Ao mesmo tempo em que conquistava seu espaço no universo da saúde paulistana, Iris nunca permitiu que suas origens fossem apagadas ou diminuídas. Pelo contrário, ela mantém viva sua identidade boliviana por meio de uma intensa e vibrante atuação cultural na capital paulista. Ela integra a filial paulista dos Caporales San Simón, grupo de dança folclórica que preserva tradições da Bolívia com coreografias que contam histórias de resistência, fé e alegria, e também participa do Mariachi Nuevo Sol Brasil, levando a música e a cultura latino-americana a diferentes públicos em São Paulo.

 

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Iris Lafuente, em registro fotográfico vestindo o traje tradicional de charra, peça que simboliza a força e a elegância da cultura mexicana latino-americana. A imagem, pertencente ao acervo pessoal da profissional, reflete a pluralidade cultural que caracteriza São Paulo, cidade que acolhe diferentes nacionalidades e expressões artísticas. Integrante do Mariachi Nuevo Sol Brasil, grupo dedicado à preservação e difusão da música tradicional da América Latina, conciliando a excelência acadêmica e hospitalar com o protagonismo na valorização das tradições culturais. A fotografia traduz o compromisso da profissional em manter vivas as raízes que ajudam a compor o rico mosaico étnico e artístico da capital paulista. (Foto: acervo pessoal).

 

Além disso, Iris atua na organização e celebração do Ano Novo Andino, ritual ancestral celebrado em São Paulo que reúne a cosmovisão andina e promove o encontro entre comunidades sul-americanas no Brasil. Esta celebração, que marca o ciclo agrícola e espiritual dos povos originários dos Andes, é uma atividade que reforça sua conexão com a ancestralidade e com a cultura que herdou de seus antepassados, uma herança que ela carrega com orgulho e que enriquece sua atuação profissional, trazendo para o ambiente da saúde um “Jallalla” numa perspectiva intercultural que beneficia especialmente os pacientes imigrantes que encontra em seu caminho.

 

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Iris Lafuente, participa na organização e celebração do Ano Novo Andino em São Paulo, ritual ancestral que marca o ciclo agrícola e espiritual dos povos originários dos Andes. A profissional de saúde, que completa duas décadas de carreira na saúde, atua na organização do evento, que reúne a cosmovisão andina e fortalece os laços culturais da comunidade boliviana na capital paulista. A cerimônia, realizada anualmente, celebra a conexão com a terra, a ancestralidade e a renovação das energias,valores que Iris transporta também para sua prática humanizada no ambiente hospitalar e acadêmico. (Foto: Leonor Hills).

 

Um legado que atravessa gerações e fronteiras

Ao completar 20 anos de formada, Iris avalia que não consegue medir o impacto que teve na vida das pessoas, mas reconhece com clareza o impacto que elas tiveram na sua. Essa humildade, aliada à certeza de que o cuidado transforma, é o que a mantém em movimento, sempre buscando aprender mais, emocionar-se mais e cuidar melhor. A profissional encerra sua reflexão com o compromisso de seguir caminhando com a mesma intenção que a guiou desde o início de sua jornada, equilibrando ciência, cultura e afeto em cada passo, e provando que é possível, sim, ser uma imigrante de sucesso no maior mercado de saúde do país sem abrir mão das próprias raízes.

Sua história é um testemunho vivo de que a diversidade cultural e a força feminina são ativos inestimáveis para a construção de um sistema de saúde mais humano, mais acolhedor e mais eficaz. Iris Lafuente Avila não é apenas uma profissional exemplar; ela é um símbolo de que os sonhos, quando alimentados por determinação, família e identidade cultural, podem florescer até nos terrenos mais áridos e competitivos, e ao florescerem, transformam não apenas a vida de quem os cultiva, mas de todos que têm o privilégio de cruzar seu caminho.

Fotos:
Acervo pessoal
Leonor Hills

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