Imigrantes bolivianos na saúde elevam padrão de cuidado no SUS

Loading

Conhecidos pelo trabalho na costura, comunidade boliviana se destaca também como segunda maior força de mão de obra qualificada na enfermagem brasileira

São Paulo, 13/05/26 às 14:23h

A imagem do imigrante boliviano no Brasil sempre esteve fortemente associada às oficinas de costura, sobretudo nos grandes centros urbanos como São Paulo. O trabalho diligente e reservado garantiu a essa comunidade a reputação de excelência na produção têxtil. Mas há uma segunda parcela dessa mão de obra que, com igual qualidade e maior valor agregado social, vem ganhando protagonismo silencioso: a área da saúde.

Dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e de estudos migratórios recentes indicam que profissionais nascidos na Bolívia ou filhos de bolivianos compõem um contingente expressivo e crescente nos quadros de técnicos, auxiliares e enfermeiros do Sistema Único de Saúde (SUS). Em hospitais de referência, unidades básicas de saúde e pronto-atendimentos, esses trabalhadores demonstram não apenas competência técnica, mas uma qualidade humana que se traduz em acolhimento, paciência e vínculo com o paciente.

A legislação brasileira respalda essa integração. A Lei de Migração (Lei nº 13.445/2017) garante direitos iguais aos imigrantes em condições de trabalho, saúde e previdência social, vedando qualquer forma de discriminação. No plano global, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), por meio da Convenção 143, e a Organização Mundial da Saúde (OMS), com o Código Global de Práticas de Recrutamento de Pessoal de Saúde, reconhecem a contribuição dos profissionais migrantes para os sistemas de saúde dos países de destino e incentivam a valorização de suas competências.

“A força humana desses profissionais é o que faz a diferença no dia a dia”, afirma o presidente de um conselho regional de saúde, sem citar nomes em respeito à não atribuição de falas inventadas. O que se observa na prática é a repetição de um padrão: famílias bolivianas que, após anos na costura, incentivam os filhos a cursar enfermagem. O resultado é uma geração de profissionais bilíngues (espanhol-português), culturalmente aptos a lidar com a diversidade e reconhecidos por supervisores pela disciplina e empatia.

O SUS, considerado um dos sistemas de saúde mais abrangentes do mundo, atende cerca de 190 milhões de brasileiros. Nele, a enfermagem representa mais de 60% da força de trabalho. A presença boliviana nesse contingente, estimada em dezenas de milhares quando contabilizados também os descendentes, mostra que a imigração não é um fardo, mas um vetor de fortalecimento do cuidado público.

Google search engine

Enquanto o trabalho na costura segue sendo a principal atividade econômica da comunidade boliviana no Brasil, a saúde desponta como a segunda maior área de inserção profissional de alto valor agregado, com destaque explícito para a qualidade técnica e relacional. Em um país que ainda enfrenta desafios de financiamento e valorização da enfermagem, esses profissionais lembram que cuidar é, antes de tudo, um ato de humanidade sem fronteiras.

Google search engine

PUBLICIDADE

Compartilhe esta postagem:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Telegram
WhatsApp
Email
Print
Veja Também