Revolução de La Paz: o grito que iniciou a independência na América do Sul

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Há 217 anos, Pedro Domingo Murillo liderou o levante que destituiu autoridades espanholas e proclamou o primeiro governo livre do continente; data é celebrada por bolivianos dentro e fora do país

São Paulo, 13/07/26 às 12:25h

Em 16 de julho de 1809, a cidade de La Paz, então parte do Vice-Reino do Río de la Plata, foi palco de um dos acontecimentos mais decisivos para a história da América Latina. Naquela data, um grupo de revolucionários liderados por Pedro Domingo Murillo tomou o Quartel dos Veteranos Espanhóis, destituiu as autoridades coloniais e formou uma junta de governo que declarava abertamente a ruptura com o domínio espanhol. O movimento ficou conhecido como a Revolução de La Paz e é considerado o primeiro levante com caráter explicitamente independentista na Ibero-América.

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O contexto era de efervescência política. As ideias iluministas vindas da Europa e a recente Revolução Francesa inspiravam os crioulos americanos. Além disso, a prisão do rei Fernando VII por Napoleão Bonaparte havia gerado um vazio de poder que muitos interpretaram como oportunidade para reivindicar autonomia. Em maio daquele mesmo ano, a Revolução de Chuquisaca já havia levantado bandeiras em defesa do monarca espanhol, mas foi em La Paz que o discurso evoluiu para a proclamação explícita de liberdade.

 

 

Murillo, nascido em 1757 no território do Alto Peru, reuniu um grupo de patriotas e, aproveitando as festividades da Virgen del Carmen, invadiu o quartel militar espanhol. Com as armas conquistadas, convocou uma prefeitura aberta na qual foi desconhecida a autoridade do governador Tadeo Dávila e também a do arcebispo Remigio de la Santa y Ortega. Em seus lugares, foi instituída a Junta Tuitiva, presidida por Murillo, que se tornou o primeiro governo livre da América do Sul.

Onze dias depois, em 27 de julho, foi publicada a Proclamação da Junta, redigida por José Antonio de Medina, na qual se declarava abertamente a separação das colônias em relação à coroa espanhola. No mesmo período, foi divulgado um plano de governo com dez artigos, reconhecido atualmente como o primeiro diploma constitucional do continente latino-americano.

A reação da coroa não demorou. O vice-rei do Peru, Abascal, enviou um exército de 5 mil soldados comandados por José Manuel de Goyeneche para sufocar a rebelião. Murillo, com cerca de 880 homens, entre crioulos, mestiços e indígenas, enfrentou as tropas realistas na batalha de Chicaloma. Derrotados, os patriotas recuaram para as Yungas, mas foram capturados nos meses seguintes.

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Entre outubro e dezembro de 1809, todos os líderes da revolução foram presos. Em 29 de janeiro de 1810, nove deles foram executados, incluindo Murillo. Antes de morrer, ele teria dito a frase que entrou para a história: “Compatriotas, eu morro, mas a tocha que deixo acesa, ninguém poderá apagá-la.” A sentença, no entanto, não surtiu o efeito desejado pelos espanhóis: a chama da independência se espalhou por todo o continente.

 

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Celebrações em La Paz e em território boliviano

As comemorações oficiais têm início no dia 15 de julho, quando a cidade é enfeitada com as cores vermelho e verde-esmeralda, cores da bandeira de La Paz. Na noite dessa data, acontece o desfile de tochas, com carros alegóricos e apresentações folclóricas que percorrem as ruas da cidade.

Já no dia 16 de julho, ao amanhecer, acontece a Diana de Saludo, com o toque dos sinos de todas as igrejas e o translado da imagem da Virgen del Carmen até a Catedral Metropolitana, na Praça Murillo. Durante a cerimônia oficial na praça, as autoridades locais e nacionais içam a bandeira, acendem a Tocha da Liberdade, monumento em homenagem à data, e depositam coroas de flores no monumento a Pedro Domingo Murillo. A programação inclui ainda um desfile militar.

Os festejos se estendem até o dia 17 de julho, quando as bandeiras e decorações são retiradas.

 

Tradição também em São Paulo

Fora da Bolívia, a data também é celebrada com entusiasmo pela comunidade boliviana que vive no Brasil, especialmente em São Paulo. Na Rua Coimbra, no bairro do Pari, e na Praça Kantuta, na região central da capital paulista, são realizados desfiles cívicos com apresentações culturais, danças típicas e a presença de associações bolivianas que mantêm viva a memória do feito libertário.

 

 

As celebrações na cidade reúnem famílias, grupos folclóricos e lideranças comunitárias que, todos os anos, organizam eventos para marcar a data e reforçar a identidade nacional entre os imigrantes e seus descendentes.

Capa – Reprodução
Vídeos:
MILIUS MONTES
Jimena Suarez

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