Festa do Sol e renovação da vida: São Paulo celebra o Ano Novo Andino 5.534 na Ponte da Vila Guilherme

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Comunidade imigrante andina se reúne para receber o Willkakuti, o retorno do sol, em celebração gratuita que marca o solstício de inverno

São Paulo, 11/06/26 às 21:33h

Na madrugada do próximo dia 21 de junho, a Ponte da Vila Guilherme, na zona norte de São Paulo, será palco de uma das mais tradicionais celebrações dos povos originários dos Andes. A partir das 2h, com entrada livre, a comunidade se reúne para festejar o Machaq Mara, o Ano Novo Andino 5.534, também conhecido como Willkakuti, que na língua aimará significa “o retorno do Sol”.

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O evento, que acontece na Rua Ministro Francisco Campos, 113, marca o solstício de inverno no Hemisfério Sul, período de profundo significado para as culturas aimará e quéchua . É nesse momento que o Sol, após a noite mais longa do ano, inicia sua jornada de retorno, trazendo consigo a renovação da vida e a esperança de um novo ciclo.

A celebração do Ano Novo Andino em São Paulo tem se consolidado como um espaço de resistência e valorização cultural. Comunidades de origem boliviana, peruana e equatoriana, que há mais de quinze anos mantêm vivas essas tradições na capital paulista, organizam a festividade que reúne centenas de pessoas. O evento acontece de forma simultânea em outros pontos da cidade, como a Praça Kantuta, no Pari, e o Largo da Penha, mas a concentração na Ponte da Vila Guilherme se destaca como um dos principais pontos de encontro.

Durante a madrugada, os participantes vivenciam rituais de gratidão à Pachamama (Mãe Terra), conduzidos por guias espirituais e sábios andinos, conhecidos como amawt’as, que vêm especialmente da Bolívia para conduzir as cerimônias. A programação inclui oferendas, rodas de música autóctone e, ao amanhecer, o tradicional compartilhamento comunitário de alimentos, chamado de apthapi, um momento de partilha e confraternização entre todos os presentes .

A data de 21 de junho não foi escolhida por acaso. O solstício de inverno é um fenômeno astronômico que, para os povos andinos, representa o momento em que o Sol, o Tata Inti, “se detém” para começar seu movimento de retorno. A celebração, portanto, é um ato de renovação espiritual e comunitária, que fortalece os laços entre as pessoas e com a natureza.

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O Ano Novo Andino, suprimido durante o período colonial, foi mantido de forma clandestina por séculos e, hoje, ressurge como um símbolo de identidade e orgulho para as comunidades indígenas que vivem em território brasileiro. A escolha da Ponte da Vila Guilherme como local do evento reflete a dinâmica das comunidades migrantes, que transformam espaços urbanos em territórios de memória e celebração.

Com entrada gratuita, a festa é aberta a todos que desejam conhecer e respeitar as tradições dos povos originários. A organização pede que os participantes colaborem com a celebração, especialmente no momento do apthapi, onde a partilha de alimentos, de preferência naturais, é um gesto de reciprocidade e união.

A celebração do Ano Novo Andino em São Paulo não é apenas uma festa, mas um ato político e cultural que reafirma a presença e a vitalidade das culturas indígenas na metrópole, conectando tradições milenares ao cotidiano da cidade global.

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