Artesãos da ALASITA se reúnem na Bolívia para proteger festividade patrimonial

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Primeiro Encontro Nacional de Artesãos debate criação de confederação e salvaguarda da tradição andina reconhecida pela Unesco

São Paulo, 11/07/26 às 14:49h

Representantes de federações, associações e conselhos de artesãos de oito departamentos da Bolívia, Santa Cruz, Cochabamba, Potosí, Chuquisaca, Oruro, Pando, Tarija e La Paz (incluindo El Alto), participaram do Primeiro Encontro Nacional de Artesãos da Feria Patrimonial da ALASITA 2026, realizado em La Paz. O evento tem como objetivo central a construção de uma proposta integrada e de uma agenda nacional para fortalecer, desenvolver e salvaguardar a festividade de ALASITA, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco desde 2017.

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Artesãos de oito departamentos da Bolívia se reúnem em La Paz para construir uma agenda nacional de proteção e fortalecimento da Alasita, festividade reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. (Foto – reduno.com.bo)

 

Sob o lema “Identidade, salvaguarda e desenvolvimento produtivo”, o encontro conta com o apoio do Ministério do Turismo Sustentável, Culturas, Folclore e Gastronomia, por meio do Vice-Ministério de Culturas e Folclore. Durante as atividades, os participantes também discutem a fundação da Confederação Nacional de Artesãos da ALASITA, que visa unificar e representar o setor em âmbito nacional.

 

Debates e preservação da identidade

A ministra Cinthya Yañez destacou que a ALASITA representa uma das expressões mais vivas da cultura boliviana, devido ao impacto econômico e social gerado pela produção de miniaturas. Ela ressaltou, no entanto, a necessidade de proteger a essência da festividade diante do risco de descaracterização, mencionando que a tradição passa por uma curadoria constante realizada por especialistas e pelos próprios artesãos.

O vice-ministro de Culturas, Andrés Zaratti, que acompanha o setor há quase duas décadas, incluindo a elaboração do dossiê de candidatura à Unesco, reforçou o papel dos produtores como coração da tradição. Segundo ele, as artesanias expressam identidade, memória e, sobretudo, os sonhos dos povos andinos.

 

Projeção internacional e diagnóstico do setor

Outro ponto central do encontro é a ampliação do alcance internacional da festividade. Autoridades lembraram que a ALASITA já ultrapassou fronteiras graças aos “artesãos viajantes”, que levaram a feira a cidades como Puno (Peru), São Paulo (Brasil) e outras regiões do mundo. O desafio atual é estruturar políticas públicas que formalizem e ampliem esses circuitos internacionais.

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O representante da Federação Nacional de Artesãos Expositores de Natal e ALASITA (Fenaena), Boris Cussi, informou que as mesas de trabalho realizarão um diagnóstico detalhado das feiras em todo o país. A partir da identificação de pontos fortes e desafios, o objetivo é proteger o patrimônio cultural em benefício das gerações atuais e futuras de criadores populares.

 

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Alasita no Brasil: tradição andina se fortalece em São Paulo há mais de três décadas

A festa da ALASITA não se restringe às fronteiras bolivianas. Em São Paulo, a celebração ganhou solo fértil e se consolidou como um dos principais eventos da cultura andina no Brasil. Realizada pela primeira vez pela imigrante boliviana, Sra. Francisca em 1991 no bairro do Pari, a festividade completa 34 anos de história na capital paulista em 2025, com programação que reúne feiras de artesanato, apresentações musicais, danças típicas e rituais de compra e troca de miniaturas que representam bens materiais e sonhos, como casas, carros, títulos universitários e cédulas de dinheiro. A tradição atrai não apenas a comunidade boliviana, mas também brasileiros e imigrantes de outras nacionalidades, interessados em vivenciar a energia do Ekeko, o Deus da abundância.

 

 

Reconhecida oficialmente no calendário municipal de São Paulo desde 2014, a ALASITA paulistana desempenha papel fundamental na preservação da memória cultural dos imigrantes bolivianos e na promoção do diálogo intercultural. Ao longo dos anos, a festa expandiu seu alcance e passou a ocupar espaços como a Praça Kantuta e o bairro do Brás, além de integrar a programação oficial da cidade com apoio de órgãos públicos e entidades da sociedade civil. Mais do que uma feira, a ALASITA em São Paulo é um espaço de resistência cultural, onde a fé, a esperança e a identidade andina se renovam a cada edição, reafirmando o poder das tradições populares em territórios transnacionais.

Com informação de:
Milen Saavedra – reduno.com.bo

Foto – reduno.com.bo

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