CONSEG Pari debate participação da comunidade boliviana em São Paulo

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Encontro no Colégio Saint Clair reuniu autoridades e moradores para tratar de convivência, descarte de lixo e ausência de representação imigrante boliviana

São Paulo, 29/09/26 às 13:26h
Atualizado, 29/09/26 às 19:44
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A reunião ordinária do CONSEG Pari, realizada na noite de quinta-feira, 24 de setembro, no Colégio Saint Clair, na região do Pari, em São Paulo, reuniu representantes da Polícia Militar, Guarda Metropolitana, Polícia Civil, Prefeitura Regional de São Paulo, CET e moradores atuantes em questões de segurança, limpeza e outras pautas ligadas ao bem comum do bairro. O encontro teve como destaque a palestra cultural “Eu Amo Bolívia“, ministrada pelo imigrante boliviano Antonio Andrade, que apresentou a riqueza histórica e cultural da Bolívia presente na região do Pari.

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Mesa composta por autoridades representantes do CET, Guarda Metropolitana, Polícia Civil, presidente do CONSEG Pari, Polícia Militar e Prefeitura Regional de São Paulo. (foto – Bolívia Cultural).

 


Durante a reunião, Andrade abordou a importância do reconhecimento da história milenar boliviana e prendeu a atenção das autoridades e dos vizinhos presentes. No entanto, o debate também expôs tensões e lacunas na relação entre a comunidade boliviana e os demais moradores do bairro.


 

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A campanha Eu Amo Bolívia é uma iniciativa socioeducativa e cultural criada em São Paulo em 2006 pelo portal Bolívia Cultural com o objetivo de promover a valorização da herança da história e das tradições bolivianas além de combater a xenofobia e o preconceito.

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Ausência de representação consular e de imigrantes preocupa moradores

Segundo informações apresentadas na mesa composta por autoridades e famílias da comunidade boliviana, os convites para participação nas reuniões do CONSEG têm sido feitos, mas a presença de representantes da comunidade e de autoridades bolivianas não tem ocorrido de forma regular. O consulado boliviano, na gestão anterior do cônsul Bulacios, foi convidado, mas a presença da autoridade diplomática consular nunca se concretizou.

A ausência de um cônsul-geral ou vice-cônsul em São Paulo foi apontada como um fator que dificulta a articulação de campanhas de conscientização e informação junto à comunidade imigrante. Sem essa representação, iniciativas voltadas para temas como barulho noturno, festas e descarte irregular de lixo ficam fragilizadas, segundo relatos apresentados no encontro. Andrade informou que a Bolívia não conta atualmente com um cônsul-geral em São Paulo nem com embaixador em Brasília, o que agrava a distância entre a comunidade e as instituições que poderiam mediar o diálogo.

A falta de participação dos imigrantes bolivianos nas reuniões do CONSEG, portanto, não se resume a um desinteresse individual. A ausência de uma autoridade consular representativa reduz a capacidade de mobilização, de tradução de demandas e de construção de pontes entre a comunidade e o poder público. Sem esse elo institucional, tanto os moradores brasileiros quanto os imigrantes perdem a oportunidade de construir soluções conjuntas para problemas que afetam a todos.

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Generalização sobre descarte de lixo é contestada

Moradores presentes lembraram que existem ruídos na convivência com a comunidade boliviana no bairro, citando desde o descarte de lixo em locais não autorizados até barulho e distúrbios em altas horas da noite. As queixas foram imediatamente contestadas por Antonio Andrade, que defendeu que não é possível generalizar a comunidade boliviana como responsável pela sujeira nas ruas de São Paulo.

Andrade argumentou que, com mais de 450 mil imigrantes bolivianos no estado de São Paulo, a parcela que comete irregularidades é uma porcentagem muito pequena, chegando a 3% ou 4% desse universo. Generalizar que a comunidade boliviana suja o bairro, segundo ele, é temerário. Andrade pediu que o denominativo utilizado seja “alguns imigrantes bolivianos sujam o bairro”, reconhecendo que casos isolados não representam o coletivo.

 

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Andrade sustentou que não é cabível generalizar que todos os bolivianos sujam o bairro. Como contraponto, apresentou a campanha “BOLÍVIA BRILHA” veiculada na rede Planeta América Latina & Bolívia Cultural, que promove o conhecimento sobre o descarte adequado de resíduos.

 

A fala de Andrade se valida pelo princípio de que a responsabilidade por infrações deve ser atribuída a indivíduos ou grupos específicos, e não a toda uma comunidade. Atribuir a sujeira urbana a uma nacionalidade inteira ignora que o problema envolve também outros fatores, como a atuação de catadores de lixo locais que ajudam a espalhar resíduos domésticos pelas ruas, conforme mencionado na reunião. Além disso, a generalização dificulta a construção de soluções conjuntas, pois cria barreiras de desconfiança e afasta a própria comunidade imigrante do debate.

Andrade também percebeu que a falta de participação dos vizinhos imigrantes bolivianos é um ponto que contribui para distanciar a comunidade de suas responsabilidades como cidadãos de São Paulo. Por isso, ele se comprometeu a divulgar, na rede de notícias Planeta América Latina, os ecopontos da prefeitura, com o objetivo de auxiliar no descarte adequado dos retalhos das oficinas de costura. Mais do que isso, Andrade convida a comunidade boliviana a assumir seu protagonismo nas questões de segurança, limpeza e conscientização nos bairros onde vive, participando ativamente das reuniões do GONSEG do Pari e de todos os bairros da cidade, pois a participação plena é a base para a construção do diálogo e da consciência, respeitando os direitos e deveres de todo cidadão e promovendo o convívio pacífico na sociedade paulistana. “Somos bolivianos, filhos de uma cultura riquíssima, na qual o respeito à natureza e à comunidade viva é fundamento de nossa estrutura ancestral e base do fortalecimento social, valor que também deve ser reconhecido e valorizado em São Paulo. É hora de replicar essa cosmovisão no convívio social da cidade, aproximando vizinhos, fortalecendo laços e construindo juntos uma São Paulo mais justa e acolhedora para todos”. Concluiu o palestrante boliviano.

 

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Associação Ana Barba pede desculpas e propõe diálogo

Também esteve presente na reunião a imigrante boliviana Anelin Suarez, fundadora do Movimento Ana Barba, em Santa Cruz, na Bolívia. Anelin pediu desculpas por alguns excessos das comunidades imigrantes da Bolívia e solicitou compreensão para as realidades e vulnerabilidades dos imigrantes bolivianos, que são muito distantes da realidade do brasileiro. Segundo ela, a comunidade boliviana irá discutir e buscar modelos de informação para evitar causar transtornos na região.

 

O papel dos CONSEGs na construção da segurança comunitária

Os CONSEGs são grupos de pessoas do mesmo bairro ou município que se reúnem para discutir, analisar, planejar e acompanhar a solução de problemas comunitários de segurança, desenvolver campanhas educativas e estreitar laços de entendimento e cooperação entre as várias lideranças locais. Cada Conselho é uma entidade de apoio à Polícia Estadual nas relações comunitárias e se vincula, por adesão, às diretrizes da Secretaria de Segurança Pública, por intermédio do Coordenador Estadual para Assuntos dos Conselhos Comunitários de Segurança.

As reuniões ordinárias de cada Conselho são mensais, realizadas normalmente no período noturno, em imóveis de uso comunitário, segundo uma agenda definida por período anual. A Secretaria de Segurança Pública tem como representantes, em cada CONSEG, o Comandante da Polícia Militar da área e o Delegado de Polícia Titular do correspondente Distrito Policial. A legitimidade dos CONSEGs tem sido reconhecida por várias esferas de governo e por institutos independentes, o que permite afirmar que representam, hoje, a mais ampla, sólida, duradoura e bem-sucedida iniciativa de polícia orientada para a comunidade em curso no Brasil.

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