216 anos de Cochabamba: celebração atravessa fronteiras e reúne a comunidade boliviana em SP e no exterior

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Departamento que é o celeiro da Bolívia comemora a gesta libertária de 14 de setembro com gastronomia, dança e saudade entre os imigrantes cochabambinos na capital paulista

São Paulo, 22/09/26 às 20:19h
Atualizado, 22/09/26 às 20:31h

Cochabamba comemora neste 14 de setembro seus 216 anos de gesta libertária, e a data atravessa fronteiras para também movimentar a comunidade boliviana em São Paulo. Conhecido como o celeiro da Bolívia, o departamento tem na gastronomia e na beleza da mulher cochabambina algumas de suas marcas mais reconhecidas, somadas a um dos climas mais agradáveis do país.

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Os cochabambinos formam a terceira força da migração boliviana no Brasil. Com eles, chegaram tradições como a cueca cochabambina, a Wallunka e inúmeras iguarias que conquistaram o paladar dos imigrantes bolivianos, latino-americanos e paulistanos. Aos poucos, esse público também passa a cultivar um carinho especial pela cultura e pelo folclore cochabambino na capital paulista, sentimento que se intensifica a cada setembro, quando a saudade da terra natal encontra na festa uma forma de se manifestar.

 

 

A presença cochabambina em São Paulo também ganhou reconhecimento institucional. O departamento foi considerado “Cidade-Irmã de São Paulo” por meio do projeto de lei 01-00191/2024, de autoria do vereador Fabio Riva (MDB).

 

Por que Cochabamba celebra o aniversário em 14 de setembro

A data está profundamente ligada à identidade do departamento. Em 14 de setembro de 1810, Cochabamba somou-se ao movimento revolucionário que se espalhava pelos territórios de Charcas e que, anos depois, levaria à independência da Bolívia.

No início do século XIX, o domínio espanhol atravessava uma profunda crise. A invasão napoleônica à Espanha, em 1808, provocou a queda da autoridade da monarquia e gerou instabilidade que também atingiu a América. No território de Charcas, Chuquisaca e La Paz já haviam protagonizado levantes em 1809, e o ambiente de rebelião chegou a Cochabamba.

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Em 14 de setembro de 1810, o movimento tomou força na cidade. Francisco del Rivero chegou a Cochabamba acompanhado por milicianos provenientes do vale de Cliza. Os insurgentes cercaram a guarnição e depuseram o governador intendente José González Prada.

Esteban Arze foi uma das figuras centrais da jornada. Após o levante, convocou-se um Cabildo Aberto e o governo local foi reorganizado. Francisco del Rivero assumiu como governador, e Esteban Arze ficou à frente das forças patriotas. Assim, Cochabamba incorporou-se abertamente ao processo revolucionário da região.

 

Uma luta que continuou depois do dia 14

O levante não significou o fim da luta. Ao contrário, abriu uma etapa de enfrentamentos que se prolongaria por vários anos. Um dos episódios posteriores mais importantes foi a batalha de Aroma, em 14 de novembro de 1810, quando as forças patriotas dirigidas por Esteban Arze derrotaram as tropas realistas e fortaleceram momentaneamente o movimento insurgente cochabambino.

A guerra continuou, e as forças realistas retomaram posições. Cochabamba voltou a ser cenário de enfrentamentos e resistência. Em 1812 ocorreu um dos episódios mais lembrados dessa etapa: a resistência das mulheres cochabambinas na colina de San Sebastián, atualmente conhecida como a Coronilla.

Em 27 de maio daquele ano, as mulheres concentradas na colina enfrentaram as tropas realistas. O episódio terminou em massacre, mas ficou incorporado à memória histórica de Cochabamba como um dos maiores símbolos de resistência durante a luta emancipadora.

 

216 anos depois

Em 2026, Cochabamba comemora 216 anos daquela gesta libertária. Mais de dois séculos depois, os nomes de Francisco del Rivero, Esteban Arze e de todos que participaram daquele movimento permanecem ligados à história do departamento. A celebração também mantém viva a memória dos acontecimentos que se seguiram ao levante, entre eles a batalha de Aroma, os anos de enfrentamentos e a resistência das mulheres na Coronilla.

O 14 de setembro conecta passado e presente. A cada ano, os atos cívicos, as bandeiras celestes e as homenagens preservam a memória do levante de 1810 e da participação de Cochabamba no processo que culminaria com a independência da Bolívia, em 1825.

Para os cochabambinos que vivem em São Paulo, a data ganha um significado adicional: é o momento de matar a saudade da terra natal, reunir a comunidade, compartilhar a gastronomia típica e manter vivas as tradições que atravessaram fronteiras. Cochabamba celebra o 14 de setembro porque foi nesse dia, em 1810, que começou uma das etapas decisivas de sua luta pela liberdade, uma história que continua a ser contada, dançada e saboreada a milhares de quilômetros de distância.

Com informações de:
opinion.com.bo/

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