Cárie infantil atinge 100% dos filhos de imigrantes bolivianos em escolas de SP, aponta levantamento

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Dados do portal Bolívia Cultural revelam emergência odontológica na rede pública; experiência com consultório dentro de escola mostra caminho para solução, mas exige atuação permanente das instituições de imigrantes

São Paulo, 09/07/26 às 15:03h

A saúde bucal de crianças filhas de imigrantes bolivianos na rede pública de ensino de São Paulo vive um quadro crítico. Levantamento do portal Bolívia Cultural aponta que, em algumas unidades educacionais, 100% dos pequenos entre 2 e 7 anos apresentam dentes comprometidos por cáries, um índice que acende alerta não apenas para o bem-estar físico, mas também para o aprendizado e o desenvolvimento social dessas crianças.

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A rotina exaustiva dos pais, muitos deles trabalhadores do setor de confecção, onde a produtividade dita o sustento da família, é um dos fatores que dificulta o cuidado diário com a escovação e o acompanhamento odontológico regular. A informação sobre os serviços gratuitos do Sistema Único de Saúde (SUS) também nem sempre chega a essas famílias, criando uma barreira que vai além do acesso físico às unidades de saúde.

 

Solução prática já existe: dentro da escola

Apesar do cenário preocupante, há iniciativas que mostram ser possível virar o jogo. Duas unidades da rede municipal de ensino, vinculadas à Diretoria Regional de Educação Penha (DRE Penha), enfrentaram o problema de frente e firmaram parceria com uma Unidade Básica de Saúde (UBS) próxima. O resultado foi a instalação de um consultório odontológico completo, com cadeira, equipamentos e materiais, dentro da própria escola, garantindo atendimento regular às crianças sem que os pais precisem se deslocar ou interromper a jornada de trabalho.

A experiência foi apresentada ao portal Bolívia Cultural durante uma reunião pedagógica realizada em 2025, quando a campanha cultural Eu Amo Bolívia promoveu formação sobre a cultura boliviana para professores e diretores da região. O caso demonstra que a integração entre as secretarias de Educação e Saúde é viável e eficaz, mas ainda é exceção, e não regra.

 

Comunidade precisa assumir papel de elo

Especialistas e educadores ouvidos pelo portal apontam que, para que soluções como essa se multipliquem, as instituições da comunidade imigrante boliviana precisam assumir um papel mais ativo e permanente. Embora existam ações esporádicas promovidas por algumas associações de residentes, como mutirões de aplicação de flúor e palestras, elas não têm capilaridade nem continuidade para atender uma população que, segundo dados extraoficiais do BC, já ultrapassa 450 mil bolivianos no Estado de SP.

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O SUS oferece atendimento odontológico gratuito e de qualidade em Unidades Básicas de Saúde, Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) e até em unidades móveis que chegam a regiões de difícil acesso. No entanto, o sistema depende da procura espontânea, e é nesse ponto que as federações, coletivos e associações de imigrantes podem atuar como pontes efetivas: orientando as famílias sobre como agendar consultas, acompanhando o pré-natal odontológico das gestantes, organizando mutirões regulares de prevenção e cobrando das gestões municipais a expansão dos consultórios escolares (mencionadas nesta matéria).

 

Direito à saúde não pode esperar

A saúde é um direito constitucional de todas as crianças, e a negligência com a dentição na primeira infância pode trazer consequências para toda a vida, desde dores e infecções até dificuldades na alimentação, na fala e na socialização. A comunidade organizada, por meio de suas lideranças, tem legitimidade e responsabilidade para exigir políticas públicas mais robustas, mas também para construir, com suas próprias mãos, caminhos que levem o cuidado até onde ele é mais urgente: dentro das escolas, próximo das famílias e, acima de tudo, permanente.

O exemplo das unidades da Penha prova que a solução é possível. Falta agora transformar a exceção em política pública, com a participação ativa da comunidade como agente de transformação, e não como espectadora da precariedade.

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