Em pleno Dia do Migrante, CAMI emite nota de repúdio.

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Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (CAMI) publica nota de repúdio à decisão, classificada como “desumana” e contrária às políticas de acolhimento

São Paulo • 18/12/25 às 12:21h

Em um contraste direto com o espírito da data, a Prefeitura de São Paulo decidiu fechar um centro de acolhida que atende 157 imigrantes e refugiados, no Dia Internacional do Migrante, celebrado nesta segunda-feira (18). A informação foi divulgada de forma urgente pelo Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (CAMI), entidade de referência na defesa dos direitos desta população, que emitiu uma veemente nota de repúdio à medida.

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O Dia Internacional do Migrante foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover a reflexão sobre os direitos, as contribuições e os desafios enfrentados por milhões de pessoas que se deslocam pelo mundo. Para organizações da sociedade civil, a decisão da gestão municipal do prefeito Ricardo Nunes (MDB) simboliza um ato de hostilidade institucional em uma data que deveria marcar o compromisso com a proteção e a integração.

A Prefeitura de São Paulo não havia se manifestado oficialmente sobre o anúncio do fechamento ou sobre as críticas do CAMI até a publicação desta reportagem. A reportagem solicitou posicionamento da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, responsável pela coordenação de políticas para a população imigrante, e aguarda retorno.

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Leia abaixo a íntegra da nota de repúdio publicada pelo CAMI:

NOTA DE REPÚDIO

Repudiamos, com veemência, a decisão da Prefeitura de São Paulo de fechar o abrigo CAEF Ebenezer, referência internacional no atendimento a imigrantes e refugiados e reconhecido como exemplo pela ONU. Transferir 157 pessoas – entre elas crianças e idosos – de um serviço especializado para espaços destinados à população em situação de rua desconsidera completamente suas histórias, seus traumas e suas necessidades específicas.​
Como denuncia Roque Patussi, coordenador do CAMI, a decisão foi comunicada de forma unilateral, às pressas e sem diálogo efetivo com a entidade responsável, em plena véspera de recesso do Judiciário, o que dificulta inclusive a defesa jurídica dessas famílias. Migrantes e refugiados não podem ser tratados como problema a ser deslocado de um endereço para outro, mas como sujeitos de direitos que exigem políticas públicas sérias, continuadas e especializadas.​
Fechar um abrigo modelo não é “reordenar” a rede de proteção: é desmontar um pilar fundamental da garantia de direitos humanos na cidade de São Paulo. Exigimos a imediata suspensão do fechamento do CAEF Ebenezer, a manutenção do contrato com o CAMI e a abertura de um canal real de diálogo com as organizações da sociedade civil, a Defensoria Pública e, principalmente, com as pessoas diretamente impactadas por essa medida.
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