Pré-candidato Augusto Cury defende pacto pela saúde mental e valoriza imigrantes como riqueza do Brasil

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Psiquiatra e pré-candidato à Presidência pelo Avante falou ao Bolívia Cultural sobre riqueza cultural trazida por estrangeiros e defendeu pacto contra polarização

São Paulo, 06/06/26 às 19:19h

O psiquiatra e escritor Augusto Cury, pré-candidato à Presidência da República pelo Avante, concedeu entrevista ao Bolívia Cultural na noite de 2 de junho durante o Prêmio Consciência Ambiental / Immensità 2026. Autor da Teoria da Inteligência Multifocal e com mais de 25 milhões de livros vendidos somente no Brasil, publicados em mais de 70 países, Cury enfatizou a riqueza cultural trazida historicamente pelos imigrantes ao Brasil e defendeu um pacto nacional contra a polarização política. Sua pré-candidatura, oficializada pelo partido em eventos pelo país, tem como bandeiras principais a saúde mental, o fortalecimento de projetos sociais e de microempreendedores, além do combate à divisão política que, segundo ele, “está acabando com as famílias e com as empresas”.

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Durante sua palestra na noite do Prêmio Consciência Ambiental / Immensità 2026, realizada em 2 de junho, Augusto Cury foi questionado sobre o protagonismo ambiental brasileiro e ressaltou dados que posicionam o país como referência mundial em sustentabilidade: o Brasil emite sete vezes menos carbono que o americano, quatro vezes menos que um chinês e três vezes menos que a média da OCDE, além de possuir a matriz energética mais renovável do mundo e as leis ambientais mais rigorosas do planeta. O pré-candidato à Presidência pelo Avante defendeu que 98% dos agricultores brasileiros, que não cometem crimes ambientais, sejam abraçados, enquanto os 2% infratores enfrentem a Justiça. Sua proposta para o país, apresentada naquela mesma noite, é o “Brasil dos sonhos”, uma nação focada nas pessoas e no combate à “intoxicação digital”, fenômeno que atinge especialmente os quase 8 milhões de jovens brasileiros que não trabalham nem estudam.

 

Filho de avós árabes, judeus, italiano e espanhol, Augusto Cury defende que Brasil tenha “caso de amor” com imigrantes e ressignifique a dor como potência criativa

Ao se dirigir aos imigrantes durante a entrevista ao Bolívia Cultural, Augusto Cury fez uma declaração de caráter pessoal e simbólico: revelou ser filho, neto e bisneto de imigrantes. Seus avós eram árabes, judeus, italiano e espanhol, povos que, em diferentes momentos da história, deixaram suas terras de origem fugindo de guerras, perseguições e fome. O pré-candidato à Presidência pelo Avante reconheceu publicamente as dificuldades enfrentadas por quem deixa sua terra, descrevendo esse processo com as expressões “famílias dilaceradas e sonhos asfixiados”. Ao trazer sua própria ancestralidade para o discurso, Cury não apenas humanizou a pauta migratória, mas também estabeleceu uma ponte emocional com milhões de brasileiros descendentes de estrangeiros – cerca de 70% da população brasileira, segundo o IBGE, tem origem em fluxos migratórios ocorridos principalmente entre os séculos XIX e XX. A fala também resgatou a memória de episódios históricos marcantes, como a vinda de italianos, espanhóis, japoneses, sírios e libaneses para o Brasil, que ajudaram a construir a identidade nacional nos campos, nas indústrias e no comércio.

 

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Dados nacionais e internacionais sobre o valor econômico dos imigrantes

Dados internacionais corroboram de forma contundente a importância dos imigrantes para o desenvolvimento econômico e social dos países. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), os migrantes representam cerca de 3,6% da população global, mas contribuem com aproximadamente 9,4% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, o que demonstra uma desproporção positiva: eles geram riqueza muito acima de sua participação populacional. No Brasil, o cenário não é diferente. O Relatório Anual de Migrações 2025 do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigr), ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com universidades, indica que imigrantes de países como Bolívia, Haiti, Venezuela e Senegal movimentaram mais de R$ 20 bilhões na economia brasileira apenas em 2025. Esse montante está concentrado em setores como o comércio popular, a indústria têxtil do Brás e Bom Retiro (em São Paulo), a construção civil em grandes centros urbanos e os serviços de alimentação e limpeza. Além do impacto econômico, os imigrantes também contribuem com a previdência social: dados da Receita Federal mostram que mais de 1,2 milhão de imigrantes estavam com CPF ativo e contribuição previdenciária regular em 2025, ajudando a sustentar o sistema de seguridade social brasileiro.

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A ressignificação da dor e o chamado à humanidade

Cury concluiu sua fala sobre imigração com uma reflexão filosófica e ao mesmo tempo prática: os imigrantes, ao usarem “a dor para escrever os capítulos mais importantes da sua história”, podem contribuir imensamente para o país que os acolhe. Essa ressignificação do sofrimento, transformar adversidade em potência criativa, produtiva e cultural, é um fenômeno amplamente documentado por estudos da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), que apontam que refugiados e imigrantes frequentemente desenvolvem maior resiliência, capacidade de inovação e espírito empreendedor. No Brasil, exemplos concretos abundam: desde a padaria artesanal de um imigrante sírio no Rio de Janeiro até a cooperativa de costura de mulheres venezuelanas em Boa Vista (RR), passando pelos restaurantes bolivianos que introduziram o sabor do salteña e do api no cardápio paulistano. Ao afirmar que o Brasil deve ter “um caso de amor porque somos uma família humana”, Cury fez um chamado explícito ao fim da xenofobia e à construção de uma sociedade mais acolhedora. Em tempos de discursos de ódio contra imigrantes em diversos países – incluindo a Europa e os Estados Unidos – a fala do pré-candidato posiciona o Brasil como um país historicamente aberto, miscigenado e solidário, valores que, segundo ele, precisam ser resgatados e ampliados em uma nova agenda política para 2026.

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