Ano Novo Andino 5.534: A Força Dos Povos Originários Desde São Paulo Para O Mundo

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A Praça Kantuta foi palco de ritual do Willka Kuti que conecta diáspora andina em quatro continentes em defesa do Bem Viver

São Paulo, 22/06/26 às 19:07h

Na madrugada de 20 para 21 de junho de 2026, quando os primeiros raios de sol romperem o frio na Praça Kantuta, no bairro do Canindé, aconteceu o clímax da cerimônia do Ano Novo Andino 5.534, também chamado de Willka Kuti (Retorno do Sol) ou Machaq Mara (Ano Novo), data que marca o solstício de inverno no Hemisfério Sul e o renascimento do astro-rei segundo a tradição milenar dos povos originários.

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A celebração, que foi das 22h do dia 20 até o nascer do sol do dia 21 de junho de 2026, reuniu centenas de pessoas em um ritual de esperança, união e resistência cultural, com destaque para a cosmovisão andina amazônica, visão de mundo que integra o sagrado da montanha e da floresta, a reciprocidade com a Pacha mama (Mãe Terra) e o equilíbrio entre os seres humanos e a natureza.

 

 

Organizado pelo Centro Cultural Andino Amazônico (CCAA), o evento teve transmissão ao vivo em rede internacional, conectando São Paulo a celebrações na Bolívia, Argentina, Estados Unidos e Europa, graças a Transmissão desde a Bolívia para o mundo por “RTP Rádio Televisión Popular”. A festividade também contou com o apoio do Programa VAI Cultural e da Prefeitura de São Paulo.

 

O Ritual do Solstício

A programação teve início na noite do dia 20, com rituais conduzidos por guias espirituais vindos da região dos Andes bolivianos, que conduziram a purificação do território e a preparação para a chegada do Tata Inti (Deus Sol).

 

 

Por volta das 7h da manhã do dia 21, ocorreu o ato central: a reverência aos primeiros raios solares, momento em que a comunidade renova suas energias e agradece pela continuidade da vida. A cerimônia foi encerrada com o tradicional Apthapi, o compartilhamento comunitário de alimentos, que simboliza a união e a reciprocidade entre os participantes.

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Resistência e Diáspora

Há mais de quinze anos, comunidades andinas residentes em São Paulo mantêm viva a tradição do Ano Novo Andino, que por séculos foi invisibilizada e combatida durante o período colonial. A celebração pública ganhou força a partir de 2014, quando foi realizada no Memorial da América Latina, e desde 2019 consolidou-se na cidade de São Paulo e desde 2025 na Praça Kantuta com a organização do CCAA.

Para os povos aymara e quéchua, o solstício de inverno representa não apenas um fenômeno astronômico, mas o início de um novo ciclo de vida, um momento de renovação espiritual e reafirmação da identidade cultural. O evento deste ano ganha ainda mais relevância por sua projeção internacional, mostrando que a força dos povos originários atravessa fronteiras e resiste na diáspora

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