3 de maio, Dia da Chakana: símbolo andino se fortalece em São Paulo e amplia identidade cultural na cidade

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Desde os anos 60, artesãos andinos promovem a cruz andina em vestimentas; hoje, centros culturais e projetos escolares mantêm viva a cosmovisão dos povos originários em SP

São Paulo, 28/04/26 às 02:28h
Atualizado, 06/05/26 às 17:02h

A Chakana, conhecida como cruz andina ou ponte entre mundos, tem conquistado crescente visibilidade em São Paulo e em outras regiões do Brasil. Tradicionalmente celebrada no dia 3 de maio pelas culturas do Peru, Bolívia, Equador, norte da Argentina e Chile, a data, chamada Chakana Raymi, marca o momento em que a constelação da Cruz do Sul atinge posição vertical perfeita no céu, simbolizando o fim das colheitas e o equilíbrio entre o plano espiritual e o terreno.

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O símbolo, cujo nome em quéchua significa “escada” ou “ponte”, representa a união entre o mundo terrenal (Kay Pacha) e o mundo de cima (Hanan Pacha), além de expressar os quatro pontos cardeais e os princípios de reciprocidade e equilíbrio conhecidos como Ayni. Com sua forma escalonada de 12 pontas, a Chakana é um dos pilares da geometria sagrada andina.

 

A chegada a São Paulo e o papel dos artistas andinos

A difusão da Chakana em território brasileiro começa a ganhar consistência ainda na segunda metade do século 20. A partir dos anos 1960 e 1970, artistas andinos, especialmente peruanos e bolivianos, passaram a trazer o símbolo estampado em vestimentas, mantas e acessórios comercializados em feiras e eventos culturais na capital paulista. A artesania peruana e boliviana teve papel central nesse período, promovendo de forma silenciosa, porém contínua, a disseminação do elemento andino entre os paulistanos.

Com o tempo, a Chakana deixou de ser apenas um motivo decorativo e passou a ser reconhecida como expressão de uma visão de mundo. Ações isoladas de imigrantes andinos e descendentes, deram lugar a iniciativas mais organizadas a partir da virada do século.

 

 

Coletivos e festividades: o fortalecimento a partir de 2010

Por volta de 2008, coletivos andinos e amazônicos sediados em São Paulo intensificaram a organização de atividades regulares. Uma das celebrações mais emblemáticas é o Ano Novo Andino, realizado em junho, que resgata rituais ligados ao solstício de inverno no hemisfério sul. Além dessa festividade pontual, outros eventos sazonais passaram a ocorrer com maior frequência, ampliando o contato do público brasileiro com a cosmovisão dos povos originários da cordilheira.

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São muitos os coletivos, instituições e ativistas culturais em São Paulo que mantêm viva a cosmovisão andina

Entre as instituições que mantêm programação contínua ao longo de todo o ano, destaca-se o Centro Cultural Andino Amazônico (CCAA). A organização produz mensalmente atividades voltadas à promoção da Chakana e de outros elementos da cultura andina, incluindo oficinas, rodas de conversa, exposições e celebrações rituais. A atuação do CCAA em São Paulo tem sido fundamental para consolidar um calendário estável de eventos que aprofundam o conhecimento sobre a geometria sagrada, os ciclos agrícolas e os princípios de reciprocidade.

Na área da educação, o projeto Eu Amo Bolívia desenvolve um trabalho consistente de difusão do símbolo entre professores e alunos. Com abordagem lúdica, a iniciativa insere a Chakana no cotidiano escolar por meio de atividades presenciais, com destaque para palestras voltadas a diferentes faixas etárias. O projeto atua durante todo o ano letivo, permitindo que crianças e jovens tenham contato direto com a simbologia andina e seus significados astronômicos, agrícolas e filosóficos.

A lista de porta-vozes da Chakana é longa: ativistas e coletivos que tecem sua força com palavras nômades, do “quechua ao aimara”, navegando pelo espanhol, agora aportam no português. Cada sílaba é um vento andino que sopra continente adentro, carregando simbolismo, resistência e cosmovisão.

Um símbolo em expansão na Pauliceia dos mil povos

A Chakana, antes restrita aos círculos de imigrantes andinos, ganhou as ruas, os centros culturais e as salas de aula da cidade de São Paulo. Seu formato escalonado e sua mensagem de equilíbrio entre humano, natureza e cosmos encontram ressonância em uma metrópole marcada pela diversidade étnica e pela busca de referências identitárias.

No dia 3 de maio, comunidades realizam no planeta todo, rituais em parques, centros culturais e espaços públicos para honrar a cruz andina e o ciclo agrícola. Para os povos originários, a data não é apenas uma comemoração, mas um lembrete de que a terra precisa descansar antes do solstício de inverno e de que todas as formas de vida estão interligadas.

Assim, a Chakana se consolida não apenas como herança cultural dos Andes, mas como uma janela de conhecimento aberta sobre um universo de reciprocidade, temporalidade sagrada e respeito à natureza, elementos cada vez mais necessários em meio à agitação da maior cidade do país.

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