Primeiro Recorrido dos Caporales San Simón agita Praça Kantuta em SP

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Comunidade boliviana celebra tradições com dança e música na zona norte da capital paulista; evento gratuito fortalece pertencimento e visibilidade cultural

São Paulo, 05/06/26 às 22:11h
Atualizado, 06/06/26 às 12:08h

Foi na tarde do domingo, 31 de maio, que a Praça Kantuta, no bairro do Pari, região central de São Paulo, tornou-se o epicentro da cultura boliviana no Brasil. O primeiro Recorrido dos Caporales San Simón Filial São Paulo reuniu centenas de famílias bolivianas e brasileiros admiradores da dança folclórica, em uma demonstração de capricho, técnica e devoção às raízes culturais.

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Localizada na Rua Pedro Vicente, 600, próxima à Estação Armênia do Metrô, a praça, conhecida como o principal ponto de encontro simbólico da migração boliviana na cidade, recebeu as tropas de dançarinos em uma tarde de outono. O chão tremeu sob o peso sincronizado das botas decoradas com chocalhos dos Simones Paulistanos. Cada passo foi executado com rigor técnico, expressando meses de ensaio e um cuidado meticuloso com os acordes da banda: as Chinas, os Achachis e o orgulho estampado nos rostos das tropas de Cholitas, cujo bailado feminino impõe força, beleza e doçura simultâneas.

A música ao vivo, comandada pela Banda Original Coquetos, ditou o ritmo inconfundível dos caporales, uma fusão de influências afro-bolivianas com cadência militar, originária de Los Yungas Paceños. O público, acomodado nas calçadas do entorno, acompanhou extasiado a passagem das diferentes tropas: primeiro os varones, com saltos altos; depois as Cholitas, com sua beleza e força nos giros que balançavam seus cabelos; e, por fim, os Achachis, cujas máscaras representam os avós protetores dos Andes.

 

 

Mais do que um espetáculo folclórico, o Recorrido cumpriu um papel social silencioso, porém profundo. Ao ocupar de forma alegre e organizada um espaço público estratégico da cidade, com acesso facilitado pelo metrô Armênia, a comunidade boliviana reafirmou seu lugar na paisagem urbana paulistana. A cultura, nesse contexto, age como uma ponte natural para a inserção migratória: quando os dançarinos abrem alas na Praça Kantuta, eles não apenas dançam para si; convidam o vizinho brasileiro, o comerciante português, o estudante japonês do vizinho bairro da Liberdade a conhecer, respeitar e se encantar por suas histórias.

 

 

Pais e mães bolivianos que trabalham em oficinas de costura ou em hospitais na extensa Pauliceia viram seus filhos desfilarem com orgulho ao som das notas da música andina. Brasileiros que passavam pelo local pararam para bater palmas. Barracas de empreendedores locais venderam salteñas e api com buñuelos. Aos poucos, a tradição que veio de La Paz e dos Yungas vai sendo reescrita em São Paulo, agora com sotaque paulistano e coração boliviano.

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O evento, gratuito e aberto ao público, terminou com uma confraternização ao redor da própria praça, onde a Banda Original Coquetos tocou os últimos acordes e os dançarinos, ainda ofegantes, abraçavam-se suados e felizes. Naquele domingo, mais do que um recorrido, percurso coreografado, o que aconteceu foi uma aula de pertencimento. E a Praça Kantuta, mais uma vez, cumpriu seu papel: ser o quintal boliviano de São Paulo.

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