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História de uma mãe boliviana em terras brasileiras

História de uma mãe boliviana em terras brasileiras

Por: Sarah Fernandes

A história de Yola começa quando ela tinha apenas 5 anos e foi deixada em um abrigo militar na Bolívia, onde cresceu sozinha. Depois de atingir a idade máxima para permanecer nesse tipo de alojamento, ela começou a trabalhar com limpeza das casas das famílias em troca apenas de moradia e comida.

Viveu assim até a que uma de suas patroas mudou-se para o Brasil com o marido médico e trazendo Yola, que não tinha conhecimento sequer sobre o destino da viagem. "Depois descobri que usaram documentos falsos para eu entrar no Brasil".

Ela morou com a família em uma casa na Chácara Inglesa onde fazia serviços domésticos sem receber salário. Para completar vivia trancada na casa, sem poder sair. "Eu lavava, passava e cuidava das crianças. Nunca me deram nada por esses trabalhos", lembra. Três anos depois ela conseguiu fugir da casa. "Foi a época mais difícil para mim... estava sozinha e não conseguia nem falar a língua daqui..."

Yola começou, então, a prestar serviços para os vizinhos em troca de moradia e comida. Nesses trabalhos conheceu uma família que a levou de volta para a Bolívia, contra a sua vontade. "Eu queria ter ficado no Brasil, já tinha amigos aqui", conta. "Queria voltar para cá. Fiz de tudo, custasse o que custou, até chegar na fronteira".

Foi enquanto esteve nessa região que Yola conheceu o pai do seu filho, um chinês que estava em viagem. Aí as coisas começaram a mudar: Ela seguiu até São Paulo e procurou um emprego que a pagasse em dinheiro e não apenas com moradia e comida. "Antes de me fixar morei com pessoas que hoje são minhas vizinhas e que se tornaram parte da minha família", conta. "Conheci pessoas maravilhosas. Graças a elas comecei a trabalhar e a ter dinheiro".

A rede de amizades levou Yola ao Consulado da Bolívia em São Paulo, para trabalhar na limpeza, em 1993, ano que seu filho nasceu. Ela permaneceu por quatro anos e foi afastada até que, em 2001, a convidaram de novo para o trabalho. "Quanto estive desempregada trabalhei como diarista, inclusive aos sábado e domingo. Eu tinha um menino pequeno que dependia de mim".

Hoje o rapaz está prestes há completar 17 anos, estuda no ensino regular e trabalha em uma empresa que comercializa tubos de papelão. "Ele sai de casa ás 7h da manhã, vai trabalhar e depois vai direto para a escola. É um rapaz muito esforçado", conta orgulhosa.

Cinco anos atrás, a vida da mãe e do filho mudaria novamente com a chegada da filha mais nova de Yola. "Ela é filha de um brasileiro que queria morar comigo. Não aceitei porque tive medo que ele fizesse algum mal ao meu filho ou que tentasse tirar a menina de mim", conta. "Os pais não podem ficar longe dos filhos".

A família vive em uma casa alugada em São Paulo. Além do trabalho no Consulado, Yola faz bicos como diarista no fim de semana na intenção de dar mais conforto aos filhos. "Eu espero que meus filhos tenham uma vida melhor que a que tive", planeja. "Quero que eles possam estudar para serem melhores. Eu, por exemplo, aprendi a ler sozinha. Quero mais pros meus filhos".

"O que eu digo para as mães é que tenham paciência com as crianças, principalmente quando elas têm entre 8 e 15 anos. É uma fase mais difícil para controlá-las e é quando eles se envolvem com mais coisas. É preciso ter força", recomenda. "No final vejo que tudo valeu à pena. No meu caminho aprendi a viver e a entender a vida e a perceber que quando um caminho se fecha outro se abre. Para isso só é preciso se movimentar".